George Floyd. O que esperar do julgamento do polícia acusado de homicídio

Começou esta segunda-feira o julgamento de Derek Chauvin, o ex-agente da polícia de Minneapolis acusado do homicídio em segundo grau do afro-americano George Floyd. O episódio, que aconteceu há quase um ano, gerou centenas de protestos antirracismo por todos os Estados Unidos. Agora, num julgamento que deverá durar pelo menos um mês, o antigo polícia poderá ser sentenciado a até 15 anos de prisão.

Joana Raposo Santos - RTP /
Derek Chauvin (à direita) está acusado de homicídio involuntário em segundo grau. Jane Rosenberg - Reuters

Derek Chauvin está acusado de homicídio involuntário em segundo grau depois de, em maio de 2020, ter colocado o seu joelho durante vários minutos sobre o pescoço de George Floyd, que se queixou, em vão, de não conseguir respirar. “I can’t breathe” (“não consigo respirar”) tornou-se, então, o slogan do movimento Black Lives Matter.

Quase um ano depois, a 23 de março, deu-se por terminada a seleção do júri que irá acompanhar o julgamento de Chauvin. Quatro dos 12 membros do júri são afrodescendentes e dois identificam-se como multirraciais, segundo o tribunal.

O facto de o júri ser constituído por brancos e negros poderá atenuar preocupações de que o veredicto seja condicionado por falta de diversidade. Segundo o advogado de Minneapolis Michael Padden, ouvido pela Al Jazeera, a composição deste júri é pouco habitual. “O máximo de pessoas de cor que vi num júri foi três: dois afro-americanos e um asiático”, contou.

Há, no entanto, críticas ao facto de o juiz ter dispensado candidatos negros que tiveram, no passado, experiências negativas com a polícia.
Os argumentos possíveis da defesa
Quanto a eventuais dúvidas sobre como decorreu o incidente que terminou na morte de George Floyd, o advogado Michael Padden considera não haver espaço para incertezas, uma vez que as filmagens realizadas por testemunhas são bastante esclarecedoras.

“A questão é se ocorreu um crime. Obviamente, Chauvin vai argumentar que não”, explicou. O advogado do ex-agente, Eric Nelson, deverá argumentar que Chauvin foi treinado para agir daquela forma e que a situação o exigiu.

A defesa poderá, ainda, questionar a causa da morte, apesar de a autópsia ter concluído que foi asfixia. Eric Nelson veio já declarar que foi encontrado fentanil, um opioide usado contra as dores, na corrente sanguínea de George Floyd.

O advogado de Chauvin pediu inclusivamente ao juiz que reconsidere aceitar provas de uma outra detenção de Floyd, em 2019, durante a qual este alegadamente ingeriu opioides quando viu a polícia aproximar-se.

Para que Chauvin seja dado como culpado em tribunal, a acusação terá de provar que o ex-polícia levou a cabo uma agressão intencional contra a vítima, resultando na morte da mesma. Neste caso, a pena poderá ir de dez a 15 anos de cadeia.

Se a equipa de acusação não conseguir provar a culpa do arguido, o mais provável será uma acusação de homicídio em terceiro grau.
Chauvin já tinha sido alvo de 18 queixas
O afro-americano George Floyd, de 46 anos, foi morto a 25 de maio do ano passado às mãos da polícia, depois ser detido sob suspeita de ter tentado usar uma nota falsa de 20 dólares (18 euros) para comprar tabaco num supermercado de Minneapolis, no Estado de Minnesota.

Nos vídeos feitos por transeuntes e difundidos pela internet, Derek Chauvin, um dos quatro agentes que participaram na detenção, coloca um joelho sobre o pescoço de Floyd durante mais de oito minutos, apesar de o homem ter repetido várias vezes que não conseguia respirar.

Os quatro agentes foram então despedidos da força policial e o agente Derek Chauvin, que imobilizou Floyd com o joelho, acabou por ser acusado de homicídio em segundo grau.

Antes do sucedido a 25 de maio, Derek Chauvin possuía já 18 outras queixas contra si. Pelo menos duas delas estão relacionadas com questões de “disciplina”, de acordo com o departamento de Assuntos Internos da Polícia de Minneapolis.

Este mês foi anunciado que a família de George Floyd vai receber uma indemnização de 22,5 milhões de euros devido ao sucedido em maio de 2020.
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