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Ghislaine Maxwell recusa responder às perguntas do Congresso dos EUA sobre o caso Epstein

Ghislaine Maxwell recusa responder às perguntas do Congresso dos EUA sobre o caso Epstein

A antiga companheira e cúmplice de Jeffrey Epstein deverá comparecer esta segunda-feira perante uma comissão do Congresso dos EUA para testemunhar sobre o caso do criminoso sexual, mas o seu advogado já avançou que esta vai invocar o direito ao silêncio contra a auto-incriminação.

RTP /
Imagem de Ghislaine Maxwell divulgada pelo Departamento de Justiça dos EUA em dezembro de 2025. Departamento de Justiça dos EUA

Ghislaine Maxwell recebeu no mês passado uma intimação da Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes dos EUA no contexto da investigação parlamentar sobre a rede de abusos sexuais e possíveis cúmplices ligados ao caso.

A mulher, hoje com 64 anos, foi condenada em 2021 por crimes de tráfico sexual, relacionados com o recrutamento e a facilitação de abusos sexuais de jovens pelo antigo companheiro, Jeffrey Epstein.

Maxwell cumpre uma pena de 20 anos na prisão do Texas, a partir de onde deverá comparecer virtualmente esta segunda-feira para prestar o seu depoimento à porta fechada, numa atitude que se espera muito pouco interventiva.

O seu advogado, David Oscar Markus, confirmou no domingo que Maxwell “vai invocar a Quinta Emenda”
da Constituição dos Estados Unidos, referindo-se ao direito da arguida em permanecer em silêncio contra a autoincriminação.

No arranque do seu interrogatório, Ghislaine Maxwell vai ler apenas “uma declaração preparada” para a Comissão do Congresso norte-americano, segundo avança o deputado democrata Ro Khanna.

Numa carta dirigida ao presidente da Comissão de Supervisão, James Comer, citada pelo canal britânico BBC, Ro Khanna declarou a sua intenção em questionar Maxwell sobre um documento judicial apresentado pela cúmplice de Epstein no ano passado. 

No seu texto, Maxwell revelava ter conhecimento de 25 nomes associados à rede de tráfico sexual do antigo companheiro e que não se encontravam indiciados na investigação do caso, além de confirmar “quatro co-conspiradores identificados”.

A “relação social” de Maxwell e de Epstein com Donald Trump é igualmente do interesse do deputado democrata.

Nos últimos meses, Ghislaine Maxwell tem procurado junto de vários tribunais federais “anular, suspender ou corrijar” a sua condenação. Todas as suas tentativas de sair em liberdade falharam até ao momento, apesar de, em outubro do último ano, o presidente norte-americano ter deixado em aberto a possibilidade de conceder o seu perdão à ex-companheira de Epstein.

O possível perdão de Trump também deverá surgir entre as questões do Congresso dos EUA, que pretende perceber se o tema alguma vez foi discutido entre a Casa Branca e a equipa de defesa de Maxwell.

Donald Trump manteve uma relação de amizade durante décadas com o magnata norte-americano, acusado de abuso sexual de menores, mas nega qualquer envolvimento com os crimes de Epstein, com quem reitera ter cortado ligações muito antes deste ser investigado pelos tribunais norte-americanos.

No final de janeiro foi divulgado um novo lote de documentos relativos ao caso de Jeffrey Epstein, que morreu na prisão em 2019. O espólio de cerca de três milhões de arquivos, e que constitui a mais extensa divulgação de ficheiros pelo Departamento de Justiça dos EUA, revelou ligações entre o abusador sexual e várias figuras da comunidade internacional, levando às demissões de alguns deles.

Incluindo, nos últimos dias, a renúncia de Tim Allan do seu cargo como diretor de comunicação do primeiro-ministro britânico Keir Starmer e a demissão de Mona Juul, que desempenhou um papel central nos Acordos de Oslo, do cargo de embaixadora na Jordânia e no Iraque.
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