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Governo alemão: que pastas há e quem as quer

Governo alemão: que pastas há e quem as quer

Nas negociações para uma coligação verde-liberal-democrata cristã ("Jamaika"), a distribuição de pastas ministeriais parece relativamente adiantada. O que falta é o acordo programático.

RTP /
Das esq. para a dir.: Christian Lindner, Angela Merkel, Katrin Göring-Eckardt e Peter Altmaier. Axel Schmidt, Reuters

Desde logo, o posto de chanceler continuará a ser ocupado pela líder do partido mais votado, Angela Merkel. A simplicidade desta suposição não elimina, contudo, a constatação igualmente consensual de que Merkel estará provavelmente a entrar na recta final da sua carreira política.

Esta constatação condiciona outras escolhas, para o Governo e para o partido. O longo período de liderança de Merkel teve a propriedade de secar o terreno à sua volta. Não estão à vista herdeiros óbvios: dentro do partido procura-se ansiosamente quem possa suceder à chanceler. Nomes quase desconhecidos a nível federal, como o de Jens Spahn ou de Annegret Kramp-Karrenbauer, surgem subitamente como possíveis sucessores.

Por outro lado, a longa digestão sucessória deveria ser facilitada pelo facto de a constituição do Governo ir absorver, desta vez, menos democratas-cristãos proeminentes do que tem sucedido em legislaturas anteriores. A circunstância de se preparar uma coligação a três e não a dois, como a anterior, deixará provavelmente menos pastas à CDU democrata-cristã.

Em geral, considera-se provável que Angela Merkel queira reter no Governo as pessoas que lhe são mais próximas, com excepção do ministro das Finanças, Wolfgang Schäuble, entretanto despachado para a presidência do Parlamento Federal (Bundestag). Repetentes deverão ser Ursula von der Leyen (Defesa), Thomas de Maizière (até aqui Interior, ou Administração Interna), Peter Altmaier (Assuntos Especiais), e também Hermann Gröhe (Saúde).

Ainda assim, poderá haver aqui alguma dança de cadeiras, porque o Ministério do Interior também é pretendido pelos irmãos bávaros da CDU, os social-cristãos da CSU liderada por Horst Seehofer, que desse modo pretendem controlar e influenciar num sentido restritivo a política de acolhimento de refugiados. Prevê-se que Merkel, caso atenda a pretensão da CSU, trate de encontrar algum outro lugar no Governo para De Maizière.

Quanto a Altmaier, considerado frequentemente como uma eminência parda na chancelaria (até por acumular o cargo de chefe de Gabinete de Merkel), ele sente-se suficientemente reforçado na sua posição para poder ambicionar o lugar de Schäuble. Aqui terá de bater-se com o líder do partido liberal (FDP), Christian Lindner, que também se mostra interessado nessa pasta decisiva.

Da CSU, há duas outras pretensões sobre a mesa: a de chefiar o Ministério da Agricultura, colocada quase como uma questão inegociável face a eventuais pretensões dos Verdes no mesmo sentido; e a de chefiar o Ministério dos Assuntos Sociais, com uma agenda em grande parte preenchida pela questão da habitação. Ilse Aigner poderia ser o nome social-cristão para uma destas duas pastas, com a vantagem de preencher com uma mulher mais um posto desse Governo que, Merkel dixit, deverá ter uma composição de género rigorosamente equilibrada.

A pasta da Educação tem sido objecto de evidente interesse dos liberais, que prometeram reabilitar o sistema educativo, até ao ponto de criar na Alemanha "o melhor ensino do mundo".

Pasta                              Quem a quer

Negócios Estrangeiros               Cem Özdemir (Verdes)
                                               Katrin Göring-Eckardt (Verdes)

Assuntos Sociais                        Katrin Göring-Eckardt (Verdes)
                                                Horst Seehofer (CSU)
                                                Ilse Aigner (CSU)

Administração Interna                CSU
                                                De Maizière (CDU)

Defesa                                       Ursula von der Leyen

Finanças                                    Peter Altmaier (CDU)
                                                Christian Lindner (FDP)

Educação                                   FDP

Ambiente                                   Verdes

Saúde                                        Hermann Gröhe (CDU)

Agricultura                                 Ilse Aigner (CSU)

Os Verdes, provavelmente excluídos do Ministério da Agricultura pelas pretensões social-cristãs, ficariam necessariamente com o Ministério do Ambiente. Trata-se porém de uma fraca consolação, porque esse Ministério se encontra em parte decisvia esvaziado de competências, depois de lhe ter sido retirada pelo anterior vice-chanceler social-democrata, Sigmar Gabriel, a autoridade sobre o pelouro da energia (entregue ao Ministério da Economia).

As pastas mais apetecíveis a que os Verdes podem ainda aspirar são o Ministério da Assuntos Sociais (que mais uma vez disputariam à CSU) e, principalmente, o Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Os Assuntos Sociais seriam, em qualquer Governo com participação social-democrata, uma coutada do SPD, como o foram no anterior Governo de "Grande Coligação", CDU-SDP. Mas, num Governo sem SPD os Verdes têm uma oportunidade única de ocupar essa pasta.

Os Negócios Estrangeiros estavam também, no Governo anterior, entregues ao SPD. Os Verdes há muito que se despiram da sua retórica pacifista e anti-NATO: já na coligação SPD-Verdes tinham ocupado essa pasta, com a pessoa do seu histórico líder Joschka Fischer, e fizeram as guerras que a NATO tinha em agenda.

Para qualquer das duas pastas, admite-se que a pessoa a propor pelos Verdes possa ser Katrin Göring-Eckardt, uma estrela em ascensão na hierarquia partidária. Especificamente para o Ministério dos Negócios Estrangeiros (Auswärtiges Amt), poderia ser o chefe do partido, Cem Özdemir, o nome proposto pelos Verdes.
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