Governo birmanês autoriza visita de enviado da ONU
As autoridades da Birmânia decidiram autorizar a entrada no país do enviado especial da ONU, o nigeriano Ibrahim Gambari, anunciou o ministro dos Negócios Estrangeiros de Singapura, que assegura a presidência da ASEAN.
O anúncio foi feito por George Yeo no final de uma reunião de três horas dos chefes da diplomacia da Associação das Nações do Sueste Asiático (ASEAN), de que faz parte a Birmânia, realizada em Nova Iorque à margem da 62ª Assembleia Geral da ONU.
Os ministros da ASEAN "saudaram a garantia" dada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da Birmânia de que será dado um visto de entrada na Birmânia a Ibrahim Gambari, quando o enviado especial da ONU chegar a Singapura, disse Yeo aos jornalistas.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, decidiu enviar de urgência Ibrahim Gambari à Birmânia (ou Myanmar), na sequência da deterioração da situação no país, onde quarta-feira os militares começaram a reprimir as manifestações lideradas por monges budistas.
A televisão estatal birmanesa anunciou a morte de nove pessoas, oito manifestantes e um jornalista japonês, na sequência da intervenção das forças da ordem.
George Yeo disse ainda que os ministros dos Negócios Estrangeiros da ASEAN exigiram que a Junta Militar birmanesa "cesse imediatamente" com a violência contra os manifestantes.
"Eles ficaram chocados ao saberem que estão a ser utilizadas armas automáticas e exigiram que o governo birmanês cesse imediatamente de utilizar a violência contra os manifestantes", declarou Yeo.
A ASEAN fez saber ao governo birmanês que a actual crise afecta a "credibilidade" da associação, acrescentou.
Além da Birmânia e Singapura, integram a ASEAN o Brunei, Cambodja, Filipinas, Indonésia, Laos, Malásia, Tailândia e Vietname.
A ASEAN tem mantido uma atitude prudente em relação à Birmânia, conforme o princípio da organização de não ingerência nos assuntos internos de cada Estado membro.
A reunião de quinta-feira em Nova Iorque ocorreu depois de a ASEAN ter sido acusada de passividade face à repressão violenta das manifestações na Birmânia.
À última hora, o chefe da diplomacia birmanesa, U Nyan Win, decidiu não participar na reunião em Nova Iorque, fazendo-se representar por um elemento do seu ministério, disse à AFP um diplomata da ASEAN.
Os ministros da ASEAN deverão ainda manter encontros separados com a secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, que lhes deverá pedir que pressionem a Junta Militar birmanesa para que cesse a repressão e inicie um diálogo com a oposição política, segundo responsáveis norte-americano.