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Governo de Angola critica UNITA por marcar atividade para zona de risco de minas

Governo de Angola critica UNITA por marcar atividade para zona de risco de minas

O Governo Provincial do Moxico (GPM), leste de Angola, demarcou-se hoje de qualquer incidente que venha ocorrer em zona de risco de minas, onde a UNITA (oposição) "insiste em realizar uma atividade", apesar de alertas das autoridades.

Lusa /
Kim Ludbrook - EPA

Em nota de imprensa enviada à Lusa, o GPM manifestou "grande preocupação" que a direção da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA, o maior partido na oposição) tenha marcado uma atividade na localidade de Muangai, "não declarada livre de minas".

Segundo o governo do Moxico, todas as informações relativas à segurança da localidade de Muangai/Velho (a mais de 220 quilómetros da sede da província), onde a UNITA agendou hoje celebrar os 60 anos de existência, foram previamente apresentadas ao partido político.

A preocupação sobre a situação da desminagem no troço que liga a sede do município de Lutuai a localidade de Muangai -- onde foi fundada a UNITA em 13 de março de 1966 -- foi apresentada pela secretaria provincial da UNITA ao governador provincial, em reunião realizada em 13 de fevereiro, refere-se na nota.

Salienta-se, no comunicado, que a secretaria provincial da UNITA tinha sido aconselhada a aguardar a consulta aos órgãos competentes (Comando Provincial da Polícia Nacional no Moxico e o Instituto Nacional de Desminagem (INAD)) e a criação de condições de desminagem naquele troço.

"Enquanto se aguardava a criação das referidas condições, o secretário municipal da UNITA no Lutuai, de forma insistente, concluiu com a desmatação da picada sem prévia comunicação à administração municipal", lê-se.

O governo do Moxico disse que o secretário da UNITA no Lutuai tem conhecimento da existência de minas na localidade e terá dito que "sabia como contornar os obstáculos".

Afirmações que, segundo o GPM, levaram a polícia a emitir um alerta à direção provincial da UNITA sobre os riscos que a localidade apresentava em torno da circulação segura de pessoas e viaturas.

Acrescenta o governo provincial que a desmatação da picada, alegadamente sob responsabilidade do secretário da UNITA no Lutuai, "foi feita de forma rudimentar e sem o acompanhamento das equipas especializadas em matérias de desminagem".

Durante a desmatação da zona, afirma o GPM, o secretário da UNITA terá removido uma mina antitanque não detonada, "que não foi apresentada às autoridades".

A UNITA celebra hoje 60 anos de existência e, para assinalar a data, uma delegação do partido, entre dirigentes, deputados, militantes e convidados, partiu nas primeiras horas de hoje do Luena (capital do Moxico) para a localidade de Muangai, onde está agendado um ato comemorativo.

Na terça-feira, o presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, responsabilizou o Governo angolano pelas alegadas minas que estarão no troço Luena-Muangai, onde o partido vai assinalar os 60 anos de existência, garantindo que a delegação vai chegar ao local com segurança.

"Na sexta-feira vamos a Muangai e tenho a certeza de que não vamos encontrar minas no caminho. A via de Muangai estava encerrada esse tempo todo? Não. Então os carros que andaram a passar lá esse tempo todo, não tinham minas? Só tem minas para a UNITA que vai para lá?", disse o político em ato público.

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