Exército israelita inicia operação antiterrorista na Cisjordânia ocupada

Exército israelita inicia operação antiterrorista na Cisjordânia ocupada

O exército israelita anunciou esta sexta-feira ter iniciado "operações antiterroristas" na Cisjordânia ocupada, após um ataque armado que feriu cinco israelitas, a poucos dias das eleições legislativas.

Cristina Sambado - RTP / Adicionar como fonte informativa
Ammar Awad - Reuters

"Os soldados estão a operar neste momento nas residências de terroristas e de outros suspeitos", afirmou o Exército israelita num comunicado, informando sobre operações em Hebron - perto do local onde ocorreu o ataque, numa área que foi "isolada" - assim como em "outras zonas" do território palestiniano.

As autoridades israelitas confirmaram à agência de notícias AFP que os feridos eram todos israelitas na casa dos 20 anos, sem especificar se eram ou não soldados.
Governo de Israel decreta bloqueio total à Cisjordânia
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, ordenou esta sexta-feira o que designou "bloqueio total" da Cisjordânia ocupada após um ataque armado que fez cinco feridos, a poucos dias das eleições legislativas de 27 de outubro em Israel.

Na manhã desta sexta-feira, dois atacantes vestidos de preto — um deles com barba farta e armado com uma espingarda de assalto, e o outro com uma pistola — abriram fogo sobre militares em Hebron (no sul), antes de serem mortos durante uma intensa troca de tiros, segundo a AFP.

O ataque ocorreu pouco antes das eleições legislativas marcadas para terça-feira em Israel, num contexto de tensões acentuadas na Cisjordânia, território ocupado pelas forças israelitas desde 1967.

Em resposta, Benjamin Netanyahu ordenou um "bloqueio imediato" da cidade de Hebron e solicitou ao exército que se preparasse para impor um "bloqueio total" à Cisjordânia ainda esta sexta-feira.

Foi evitado um "ataque de grande escala", afirmou também Netanyahu, segundo um comunicado divulgado pelo seu gabinete.

O episódio acontece na reta final da campanha eleitoral em Israel. Netanyahu ordenou ao seu partido, o Likud, que cancelasse todos os eventos previstos para sexta-feira.

Por sua vez, o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir — uma figura da extrema-direita —, defendeu, em resposta, o "desmantelamento" da Autoridade Palestiniana.


"Não devemos esperar que aconteça um '7 de Outubro' (na Cisjordânia). É lá que vai estalar a próxima guerra", declarou o ministro, que esteve no local. "A Autoridade Palestiniana deve ser desmantelada e desmilitarizada", acrescentou Ben Gvir.

O ataque não foi reivindicado de imediato. Em comunicado, o Hamas classificou a ação como uma "operação heroica", sem, no entanto, assumir a autoria.

Netanyahu, sem atribuir explicitamente o ataque ao grupo, jurou caçar todos os membros do movimento islâmico palestiniano, "em qualquer lugar e a qualquer momento".Tiroteio durou cerca de 20 minutos
Os dois homens armados abriram fogo antes de serem mortos pelos soldados israelitas. O tiroteio durou cerca de 20 minutos, segundo a AFP que cita os meios de comunicação israelitas.

"Após um ataque a tiro no cruzamento da Judeia, os soldados eliminaram os dois terroristas", informou o exército israelita em comunicado. O termo "terrorista" é comummente utilizado pelas autoridades israelitas para se referirem aos agressores palestinianos.

Segundo os socorristas do Magen David Adom — o equivalente israelita à Cruz Vermelha —, cinco pessoas ficaram feridas no ataque; duas delas encontram-se em estado crítico.

As autoridades israelitas não forneceram detalhes sobre os feridos. Três deles foram levados para um hospital em Jerusalém, revelaram os meios de comunicação israelitas.

Imagens divulgadas pelas equipas de resgate mostravam um corpo sem vida, caído no chão perto de um posto de abastecimento de combustível, enquanto soldados israelitas patrulhavam o local.

O incidente ocorreu num posto de controlo do exército, situado num importante cruzamento rodoviário a norte de Hebron — a maior cidade da Cisjordânia ocupada, onde as tensões são particularmente elevadas.

A cidade está dividida em dois setores: um controlado pelas autoridades palestinianas e outro — onde vivem colonos, dentro da própria cidade — sob controlo do exército israelita.Desde o ataque do grupo palestiniano Hamas em Israel, a 7 de outubro de 2023 — que desencadeou a guerra em Gaza —, a violência disparou na Cisjordânia ocupada.

Pelo menos 1.113 palestinianos foram mortos na região desde outubro de 2023, a maioria por soldados israelitas, segundo um inquérito da AFP baseado em dados do Ministério da Saúde palestiniano.

Entre eles, a ONU registou 37 pessoas mortas por colonos.

Segundo números israelitas, pelo menos 49 israelitas foram mortos no mesmo período — a maioria em ataques palestinianos, mas também durante operações militares israelitas.

As forças de segurança de Israel estão em estado de alerta, à medida que se aproximam as eleições, nas quais Netanyahu disputa a sua sobrevivência política.

Netanyahu e os seus aliados de extrema-direita baseiam a sua campanha, em grande parte, em questões de segurança; vários ministros, como Ben Gvir, defendem regularmente o reforço do controlo israelita sobre a Cisjordânia.

O principal rival de Netanyahu nestas eleições, o ex-chefe do Estado-Maior Gadi Eisenkot, elogiou a "coragem dos soldados", que "impediram um atentado de grande escala".

c/agências  
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