Governo de Taiwan critica participação de partido da oposição em fórum em Pequim
O Governo taiwanês criticou hoje a participação do Kuomintang, principal partido da oposição em Taiwan, num fórum em Pequim com representantes do Partido Comunista Chinês, considerando que ignora a hostilidade da China para com a ilha.
O evento, promovido por institutos de investigação afiliados a ambos os partidos, marcou a retoma do intercâmbio institucionalizado entre o Partido Comunista Chinês (PCC) e o Kuomintang (KMT) após quase dez anos de interrupção, sendo visto como um passo preliminar para uma eventual reunião entre o líder chinês, Xi Jinping, e a nova presidente do KMT, Cheng Li-wun, prevista para o primeiro semestre deste ano.
Durante o fórum, o diretor do Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado (Governo chinês), Song Tao, reafirmou a "firme oposição" de Pequim à independência de Taiwan, prometendo que não haverá "mão branda nem tolerância" face ao secessionismo.
O vice-presidente e líder da delegação do KMT no evento, Hsiao Hsu-tsen, afirmou que, embora a China e Taiwan tenham sistemas políticos diferentes, "os povos de ambos pertencem à mesma nação chinesa", acrescentando que o conflito entre os dois lados do Estreito "não serve os interesses do povo taiwanês".
Num comunicado publicado após o evento, o Conselho para os Assuntos Continentais de Taiwan - organismo responsável pelas relações com a China - denunciou que a hostilidade de Pequim para com Taipé está a aumentar, como demonstram as frequentes incursões de aviões e navios militares em torno da ilha, ou a "repressão transfronteiriça" contra políticos e cidadãos taiwaneses.
"No entanto, o KMT ignora a intenção do PCC de eliminar a República da China [nome oficial da ilha] e anexar Taiwan", sublinhou a entidade.
Na opinião do Executivo taiwanês, as ações do PCC "procuram contornar a autoridade pública de Taiwan, fomentar divisões e contradições internas, e distorcer a perceção dos cidadãos".
"O MAC reitera o seu apelo a todos os setores internos para que enfrentem com seriedade a pressão e a coerção do PCC sobre Taiwan, bem como as suas ambições de anexação da ilha, defendendo em conjunto a soberania e a dignidade nacionais", apontou o comunicado.
A boa relação entre o PCC e o KMT contrasta com o tom hostil que caracteriza as relações entre o Governo chinês e o Executivo taiwanês, liderado desde 2016 pelo Partido Democrático Progressista, que defende que apenas os 23 milhões de habitantes de Taiwan têm o direito de decidir o futuro político da ilha.