Governo do Iémen diz ter lançado 133 ataques contra os Huthis em 24 horas
O Governo do Iémen afirmou ter realizado 133 operações militares contra posições dos rebeldes Huthis, apoiados pelo Irão, nas últimas 24 horas, em plena escalada em vários frentes do país, informaram hoje fontes militares oficiais.
O porta-voz das Forças Armadas governamentais, Majid al Nuzaili, afirmou numa publicação na rede social X que nestas operações contra "capacidades e elementos" dos Huthis foram utilizados lança-foguetes, artilharia e drones.
O anúncio surgiu depois de os rebeldes Huthis terem reivindicado na segunda-feira um ataque com mísseis balísticos contra um navio perto do estreito de Bab al Mandeb - um dos corredores marítimos mais estratégicos do mundo - e contra o porto de Moca, cidade costeira do mar Vermelho.
A televisão estatal identificou o navio como Amir Khan, pertencente a um empresário local, que estava parado há mais de um ano para manutenção e não transportava carga no momento do impacto.
Já o porta-voz militar Huthi, Yahya Sarea, garantiu que as suas forças atingiram um "navio de desembarque militar" da Arábia Saudita - que lidera a coligação contra os Huthis - e quatro lanchas rápidas de escolta ao largo de Moca.
O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, manifestou na véspera preocupação com a escalada das hostilidades no Iémen, onde, só este mês, pelo menos 17 civis foram vítimas de ataques dos rebeldes Huthis contra zonas controladas pelo Governo reconhecido.
Os rebeldes Huthis controlam Sana, capital do Iémen, e grande parte do norte e oeste do país desde que tomaram a cidade no final de 2014. As forças pró-governamentais, apoiadas por potências regionais durante grande parte da guerra, mantêm o controlo de áreas da costa ocidental.
A escalada representa o pior reacender da violência entre os Huthis e a coligação liderada pela Arábia Saudita desde a trégua mediada pela ONU em 2022, e surge em resposta à recente criação por Riade de uma Aliança Multinacional para a Segurança Marítima destinada a proteger a navegação no mar Vermelho.
O conflito reacendeu-se após ataques atribuídos a Riade contra o aeroporto de Sana, controlado pelos rebeldes, para onde o Irão tinha enviado um avião que transportava uma delegação rebelde sem solicitar autorização ao reino saudita, que controla o espaço aéreo iemenita.
Os ataques integram uma série de operações dos huthis contra posições ao longo do estreito de Bab al-Mandeb e na costa sul do mar Vermelho, controladas pelas forças governamentais, particularmente na cidade portuária de Moka e nas áreas circundantes.
O estreito liga o mar Vermelho ao golfo de Áden e ao oceano Índico e constitui uma passagem fundamental na rota marítima entre a Europa e a Ásia através do canal do Suez.
Os rebeldes têm igualmente visado refinarias na Arábia Saudita.
As duas partes evitaram, um regresso aos níveis de violência registados nos anos anteriores, apesar de confrontos esporádicos terem continuado em várias frentes.