Governo do Paquistão rejeita atraso nos resultados das eleições gerais

por Lusa

O Governo do Paquistão desvalorizou hoje o atraso no anúncio dos resultados das eleições da semana passada, frisando que as autoridades demoraram apenas 36 horas para contar mais de 60 milhões de votos.

O primeiro-ministro interino do Paquistão, Anwaarul-Haq-Kakar, recordou que quando Imran Khan chegou ao poder, em 2018, os resultados das eleições foram anunciados após 66 horas.

O chefe do Governo insistiu que houve "condições de concorrência equitativas" para todos os partidos políticos, incluindo o de Khan - o ex-primeiro-ministro cujo partido, Tehreek-e-Insaf, conquistou a maioria dos lugares -- mas apenas porque os seus candidatos concorreram como independentes.

A votação de quinta-feira passada realizou-se para eleger um novo Parlamento, mas foi ofuscada por alegações de fraude eleitoral, por causa de um súbito cancelamento de comunicações por telemóvel, e pela exclusão de Khan e do seu partido da eleição.

Kakar disse que o serviço de telemóveis foi suspenso no dia das eleições por razões de segurança, após dois ataques de militantes que mataram 30 pessoas na província do sudoeste do Baluchistão, um dia antes da votação.

O primeiro-ministro informou que, na semana passada, as forças de segurança mataram um militante importante do grupo Estado Islâmico (EI) que estava por detrás dos dois ataques relacionados com as eleições.

Kakar acrescentou que as eleições foram realizadas em grande parte de forma pacífica, livre e justa, e que o tão aguardado processo para instalar um novo Governo poderá começar nos próximos oito a nove dias, altura em que se espera que a recém-eleita Assembleia Nacional se reúna.

De seguida, o Parlamento deverá eleger o Presidente, o vice-Presidente e o novo primeiro-ministro.

Kakar disse que as pessoas foram autorizadas a realizar protestos pacíficos, mas avisou que medidas seriam tomadas caso os comícios se tornem violentos.

Ao longo do dia de hoje, milhares de apoiantes de Khan e membros de outros partidos políticos bloquearam estradas e iniciaram uma greve de um dia, no sudoeste do país, para protestar contra alegadas fraudes eleitorais.

Ao mesmo tempo, vários partidos políticos nacionalistas e islâmicos no Baluchistão bloquearam duas autoestradas que conduzem às fronteiras iranianas e afegãs, perturbando o comércio e a circulação de pessoas.

Khan não pôde concorrer às eleições por causa das condenações criminais contra si, que alega terem motivação política.

Os candidatos do seu partido conquistaram 93 dos 265 lugares na Assembleia Nacional -- o que não é suficiente para formar um Governo.

O partido Liga Muçulmana do Paquistão - liderado por Nawaz Sharif - três vezes primeiro-ministro - garantiu 75 lugares, o que lhe permitiu entrar em negociações com aliados para formar um Governo de coligação.

O Partido Popular do Paquistão, liderado por Bilawal Bhutto-Zardari, ficou em terceiro lugar, com 54 lugares.

Os militares do Paquistão sempre se consideraram o árbitro final sobre quem se torna primeiro-ministro, e Sharif foi apontado como o candidato preferido do poderoso sistema de segurança, após o seu regresso ao país em outubro passado.

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