Governo moçambicano admite catástrofe humanitária causada por cheias
O Governo moçambicano admitiu hoje que o país está sob uma catástrofe humanitária, com cerca de 54 mil pessoas em centros de acomodação e cerca de 700 mil afetadas pelas cheias na presente época chuvosa.
"Sim, podemos dizer que estamos perante uma catástrofe, não só pelo número de cidadãos envolvidos afetados, ou seja, estamos a falar, por exemplo, de cerca de 54 mil concidadãos em centros de acomodação", disse Inocêncio Impissa, durante o balanço diário dos impactos das inundações no país.
De acordo com Impissa, na presente época chuvosa, há acima de 700 mil pessoas afetadas, cerca de 630 mil das quais devido às cheias e inundações, em quase todo o país.
Segundo dados do Governo, com atualização até quinta-feira, já foram resgatadas 19.254 pessoas que estavam sitiadas em zonas afetadas, sendo 11.693 na província de Maputo e 7.561 resgatadas em Gaza, com destaque para os distritos de Guijá, com 6.919, e Chókwè com 528 pessoas resgatadas.
"As ações de salvamento contam ainda com a presença de bombeiros de resgate e salvamento que trabalham 24 horas por dia e mais de 160 voluntários da Cruz Vermelha e de outras organizações", disse Impissa, acrescentando que estão em funcionamento 91 centros de acomodação, nas zonas afetadas, para servir as populações deslocadas.
Com relação ao setor da educação, o Governo contabiliza 188 escolas afetadas na província de Gaza, com 91 salas de aula parcialmente destruídas, enquanto a província de Maputo tem 85 afetadas e 113 salas destruídas.
"A província de Sofala regista a destruição de 63 escolas, que apresentam uma destruição total de 46 salas de aula e 182 de forma parcial", disse o porta-voz do Governo, acrescentando que a cidade de Maputo tem 24 escolas afetadas.
Para assegurar o arranque do ano letivo 2026, a 30 de janeiro, o Governo disse estar empenhado na mobilização de meios alternativos como tendas-escola para funcionarem como espaços temporários de aprendizagem, quadros pretos, lonas, `kit` de diferentes categorias, material de higiene e limpeza, mobilização de material didático diverso.
Pelo menos 642.122 pessoas foram afetadas desde 07 de janeiro pelas cheias em Moçambique, registando-se ainda 12 mortos, segundo dados provisórios do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).
De acordo com a base de dados do INGD, a que a Lusa teve acesso, com dados até às 15:50 (13:50 de Lisboa) de hoje, as cheias que se registam em vários pontos do país afetaram o equivalente a 139.708 famílias, com registo de 2.879 casas parcialmente destruídas, 757 totalmente destruídas e 71.560 inundadas.