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Governos autoritários devem ser vistos como sinal de fraqueza, diz Human Rights Watch
O lideres autoritários enfrentam cada vez mais pessoas dispostas a lutar contra os abusos e a defender a democracia. As avaliações do último relatório da organização internacional de defesa dos Direitos Humanos HRW expressam que as tendências autocráticas são ações de desespero perante as vozes civis. Mas adverte para a necessidade de os líderes democráticos fazerem mais e melhor perante os desafios globais.
"Existe uma narrativa que coloca os autocratas como estando a dominar e a democracia, em declínio, mas se se observar as tendências dos direitos humanos nos últimos 12 meses 2021 não aparenta ter sido tão cor-de-rosa para os autocratas".
Quem o diz é Kenneth Roth, diretor da Human Rights Watch, que apresenta um conjunto de reflexões no último relatório de avaliação da situação nos países em todo o mundo.

Twitter @hrw
"Embora as ações cada vez mais violentas de regimes repressivos em todo o mundo pareçam fletir os músculos, cada vez mais vemos isso como atos de desespero", sustenta Roth.
O surgimento de partidos de oposição dispostos a colocar de lado as diferenças políticas e formar coligações para tentar remover governos ou líderes corruptos ou repressivos pode refletir uma tendência de enfraquecimento dos regimes autoritários.
O relatório aponta situações concretas como as alianças "improváveis" na República Checa, onde o primeiro-ministro Andrej Babiš foi derrotado, e Israel, onde o mandato de Benjamin Netanyahu terminou após 12 anos no poder. Várias coligações entre partidos da oposição também foram formadas para desafiar Viktor Orbán na Hungria e Recep Tayyip Erdoğan na Turquia, em futuras eleições.
A HRW faz uma leitura sobre a crescente repressão e "as evidentes charadas eleitorais" em países como Rússia e Nicarágua. "Estão a recorrer a fraudes eleitorais explícitas para garantir o resultado desejado, o que não confere a legitimidade esperada num processo eleitoral. Essa repressão crescente é um sinal de fraqueza, não de força", sublinha Roth.
Em Myanmar e no Afeganistão, onde o poder foi tomado por grupos armados, Roth explica que "houve uma falha em normalizar os governo ou subjugar as populações civis".

Afeganistão. Talibãs ameaçam mulheres que lutam pelos direitos femininos no país | Ali Khara - Reuters
"Enquanto vemos sangue derramado nas ruas, vemos milhões de pessoas a recusar a aceitar o desprezo pelos seus direitos. Vemos, também, o fracasso de governantes autocráticos a distrair as populações com políticas que atacam comunidades LGBTQ, aborto ou direitos das mulheres", diz Roth.
A China, Estados Unidos e União Europeia não ficaram de fora desta avaliação e é feito um enquadramento de conluios.
Apesar do histórico de abusos de direitos, os EUA continuaram a fornecer armas a países como o Egito, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
A HRW assinala a agilidade da UE em acordar acções de investimento com a China apesar dos alegados abusos de Pequim contra a etnia Uygur, usando-a para trabalho forçado.
"Promover a democracia significa defender instituições democráticas como tribunais independentes, comunicação social livre, parlamentos robustos e sociedades civis vibrantes, mesmo quando isso traz escrutínio indesejado ou desafios às políticas executivas", concluiu Roth.
Quem o diz é Kenneth Roth, diretor da Human Rights Watch, que apresenta um conjunto de reflexões no último relatório de avaliação da situação nos países em todo o mundo.
Twitter @hrw
O documento destaca a repressão como sinal de desespero e enfraquecimento do poder dos líderes autocráticos e regimes militares.
"Embora as ações cada vez mais violentas de regimes repressivos em todo o mundo pareçam fletir os músculos, cada vez mais vemos isso como atos de desespero", sustenta Roth.
O surgimento de partidos de oposição dispostos a colocar de lado as diferenças políticas e formar coligações para tentar remover governos ou líderes corruptos ou repressivos pode refletir uma tendência de enfraquecimento dos regimes autoritários.
O relatório aponta situações concretas como as alianças "improváveis" na República Checa, onde o primeiro-ministro Andrej Babiš foi derrotado, e Israel, onde o mandato de Benjamin Netanyahu terminou após 12 anos no poder. Várias coligações entre partidos da oposição também foram formadas para desafiar Viktor Orbán na Hungria e Recep Tayyip Erdoğan na Turquia, em futuras eleições.
A HRW faz uma leitura sobre a crescente repressão e "as evidentes charadas eleitorais" em países como Rússia e Nicarágua. "Estão a recorrer a fraudes eleitorais explícitas para garantir o resultado desejado, o que não confere a legitimidade esperada num processo eleitoral. Essa repressão crescente é um sinal de fraqueza, não de força", sublinha Roth.
Em Myanmar e no Afeganistão, onde o poder foi tomado por grupos armados, Roth explica que "houve uma falha em normalizar os governo ou subjugar as populações civis".
Afeganistão. Talibãs ameaçam mulheres que lutam pelos direitos femininos no país | Ali Khara - Reuters
No entanto: "Cresceu um imenso apoio público à democracia com pessoas a encherem as ruas na China, Uganda, Polónia, Myanmar, muitas vezes a colocarem em risco as vidas para fazê-lo, e muitos outros lugares onde regimes repressivos lutam para manter o controlo".
Os regimes autoritários afirmam "servir melhor o povo do que os líderes eleitos democraticamente", mas acabam por dirigir o país segundo os seus interesses, desviando a atenção com "apelos racistas, sexistas, xenófobos ou homofóbicos".
A China, Estados Unidos e União Europeia não ficaram de fora desta avaliação e é feito um enquadramento de conluios.
Apesar do histórico de abusos de direitos, os EUA continuaram a fornecer armas a países como o Egito, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
A HRW assinala a agilidade da UE em acordar acções de investimento com a China apesar dos alegados abusos de Pequim contra a etnia Uygur, usando-a para trabalho forçado.
Embora o documento faça uma leitura sobre a fraqueza dos autocratas, alerta para a necessidade de uma liderança democrática mais forte.
Adverte para os governos democráticos não se concentrarem em ganhos políticos de curto prazo.
Relembra que durante 2021 não houve resoluções firmes sobre algumas das questões mais urgentes, como a emergência climática, desigualdade, injustiça racial e pobreza.