"Guerra aberta" entre Paquistão e Afeganistão. China, Rússia e Irão oferecem-se para mediar

"Guerra aberta" entre Paquistão e Afeganistão. China, Rússia e Irão oferecem-se para mediar

O Paquistão bombardeou na última madrugada as principais cidades afegãs, depois de Cabul ter lançado uma ofensiva na fronteira. Islamabad declarou uma "guerra aberta" ao regime taliban.

Joana Raposo Santos - RTP /
Foto: Abdul Khaliq Achakzai - Reuters

(em atualização)

A China disse esta sexta-feira estar "profundamente preocupada" com o escalar das tensões entre Afeganistão e Paquistão e ofereceu-se para mediar o conflito, tal como a Rússia, que anunciou entretanto a visita do primeiro-ministro paquistanês a Moscovo na próxima semana. Também o Irão se propôs a “facilitar o diálogo”.

"Como vizinha e amiga, a China está profundamente preocupada com a escalada do conflito e entristecida com as perdas humanas", declarou a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Mao Ning.

"A China sempre atuou como mediadora no conflito entre o Paquistão e o Afeganistão através dos seus próprios canais e está disposta a continuar a desempenhar um papel construtivo para acalmar as tensões", acrescentou.

Pequim, que tem laços políticos, económicos e militares historicamente estreitos com o Paquistão, num contexto de rivalidade com a Índia, mantém também boas relações com o Afeganistão. Segundo uma fonte diplomática ouvida pela agência Reuters, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Turquia discutiu o conflito em chamadas telefónicas com os seus homólogos do Paquistão, Afeganistão, Catar e Arábia Saudita.

"A China está a acompanhar de perto a situação", disse Mao Ning, salientando que a intensidade deste confronto excedeu a de confrontos anteriores.

"Apelamos às duas partes que demonstrem calma e contenção, resolvam as suas divergências através do diálogo e da negociação, concluam um cessar-fogo o mais rapidamente possível e evitem mais derramamento de sangue", pediu Pequim.

A porta-voz chinesa do Ministério dos Negócios Estrangeiros pediu ainda aos dois países que "garantam a segurança dos funcionários, projetos e instituições chinesas no Paquistão e no Afeganistão".Primeiro-ministro paquistanês vai visitar Rússia
A Rússia também reagiu à escalada de tensões, pedindo aos dois países do Médio Oriente que parem imediatamente os ataques e resolvam as divergências.

De acordo com a agência russa de notícias RIA, Moscovo vai considerar mediar o conflito caso ambas as partes o solicitem.

Entretanto, a RIA avançou que o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, planeia visitar a Rússia entre 3 e 5 de março.Irão oferece-se para "facilitar o diálogo"
O Irão, que faz fronteira com o Paquistão e o Afeganistão, também ofereceu a sua ajuda para "facilitar o diálogo" entre estes dois países.

"Estamos prontos a fornecer toda a ajuda necessária para facilitar o diálogo e reforçar a compreensão e a cooperação entre os dois países", escreveu na rede social X o chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi.

Teerão mantém laços estreitos com o Paquistão. Já as relações com o Afeganistão tornaram-se mais turbulentas desde o regresso ao poder dos taliban, em agosto de 2021.

Ainda assim, o Irão tem cooperado mais nos últimos meses com as autoridades de Cabul, especialmente em questões migratórias, após ter exigido a saída de milhões de afegãos sem documentos no seu território.Índia apoia Afeganistão
No início desta semana, as Forças Armadas do Paquistão atacaram o Afeganistão, tendo como alvo "campos e esconderijos" nas áreas fronteiriças afegãs.

Após esse ataque, a Índia condenou a ação militar paquistanesa e manifestou o seu apoio à soberania e integridade territorial do Afeganistão.

"A Índia condena veementemente os ataques aéreos do Paquistão em território afegão, que resultaram em vítimas civis, incluindo mulheres e crianças, durante o mês sagrado do Ramadão", afirmou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Randhir Jaiswal.

"Esta é mais uma tentativa do Paquistão de externalizar as suas falhas internas", afirmou.

c/ agências
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