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Guiné-Bissau. Advogado Augusto Nansambé libertado após 30 dias na prisão

Guiné-Bissau. Advogado Augusto Nansambé libertado após 30 dias na prisão

O advogado guineense Augusto Nansambé, que se encontrava detido por ordens dos militares, foi posto em liberdade após 30 dias na Segunda Esquadra de Bissau, indicaram hoje à Lusa fontes partidárias e familiares.

Lusa /

O advogado, próximo do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), foi detido após publicar nas suas redes sociais um texto em que criticava a atuação do Alto-Comando Militar que protagonizou um golpe de Estado no dia 26 de novembro de 2025, de acordo com as fontes.

Nansambé, um conhecido comentador radiofónico em Bissau, escreveu no dia 27 de dezembro na sua página de uma rede social que iria combater politicamente "os militares (da etnia) balantas analfabetos nas Forças Armadas" por os considerar fatores de instabilidade no país.

A Liga Guineense dos Direitos Humanos denunciou no mesmo dia que o advogado tinha sido agredido na sua residência e levado para "parte incerta", até que dias depois foi dado como estando na Segunda Esquadra.

Uma fonte do PAIGC, contactada pela Lusa, confirmou que o advogado foi posto em liberdade na segunda-feira.

"Ele foi restituído à liberdade(na segunda-feira), por volta das 20:00. Encontra-se bem com a sua família", declarou a fonte do partido.

O primeiro-ministro do Governo de transição, Ilídio Vieira Té, afirmou, na segunda-feira, que o Alto-Comando Militar já tinha ordenado a libertação de "todos os prisioneiros" que se encontravam sob a sua custódia.

O chefe do executivo disse ainda que o opositor Domingos Simões Pereira, líder do PAIGC, continua detido desde o golpe de Estado, mas indicou que está preso "por ordens da justiça e não dos militares".

O golpe de Estado no país ocorreu na véspera do anúncio provisório dos resultados das eleições legislativas e presidenciais, que tinham sido realizadas em 23 de novembro.

O Alto-Comando Militar que tomou o poder destituiu o então Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, suspendeu o processo eleitoral, mais tarde, e apresentou como alegação para o golpe a iminência de o país entrar numa guerra civil.

O Alto-Comando Militar marcou novas eleições gerais, legislativas e presidenciais, para 06 de dezembro.

Antes, foram proibidas as conferências e declarações públicas não autorizadas, com a justificação de alegadas tentativas de incitação à violência, encontros políticos clandestinos e ameaças a membros do comando.

Uma das primeiras iniciativas legislativas tomadas pelos militares foi a revisão da Constituição, conferindo mais poderes ao Presidente.

A Guiné-Bissau foi suspensa de várias organizações internacionais que pedem a retoma da ordem constitucional e a libertação dos presos políticos, nomeadamente, a União Africana, a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que substituiu a Guiné-Bissau na presidência rotativa por Timor-Leste.

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