Guterres acusa Israel de entrada ilegal em centro de saúde da UNRWA
O secretário-geral da ONU, António Guterres, acusou as autoridades de Israel de entrarem de forma ilegal num centro de saúde da agência de assistência aos refugiados da Palestina, a UNRWA, em Jerusalém.
O porta-voz adjunto da UNRWA Farhan Haq disse na quinta-feira que o líder das Nações Unidas "condenou veementemente" a invasão de segunda-feira, que obrigou ao encerramento temporário do centro de saúde.
A unidade "atende diariamente centenas de doentes refugiados palestinianos" e "para a maioria deles é o único acesso a cuidados de saúde primários", sublinhou Farhan Haq.
O secretário-geral da ONU está também "profundamente preocupado" com o iminente corte no fornecimento de água e eletricidade a várias unidades da UNRWA em Jerusalém por parte das autoridades locais.
Em 30 de dezembro, o parlamento de Israel, o Knesset, aprovou uma emenda à lei de 2024 que declarava como ilegal a UNRWA.
Numa decisão sem precedentes que contraria o direito internacional, a alteração retirou a imunidade à agência e funcionários, e ordenou a expropriação das suas instalações e a apreensão dos seus bens em Jerusalém Oriental.
A alteração proíbe ainda o fornecimento de eletricidade e água às instalações da UNRWA, assim como de serviços bancários e de telecomunicações à agência.
Guterres expressou "profundo pesar" pelo facto de Israel ter tomado "medidas incompatíveis" com as obrigações do país ao abrigo do direito internacional, referiu o porta-voz.
"Qualquer ação executiva, administrativa, judicial ou legislativa contra os bens e ativos das Nações Unidas é proibida pela Convenção sobre os Privilégios e Imunidades das Nações Unidas", recordou Farhan Haq.
O português denunciou as ações como uma violação da "inviolabilidade das instalações da ONU e um obstáculo à (...) continuação das operações da UNRWA no Território Palestiniano Ocupado, incluindo Jerusalém Oriental".
Na terça-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Gideon Saar, confirmou o corte imediato de relações com sete agências e entidades da ONU, incluindo a ONU Mulheres e a Aliança das Civilizações.
Desde 10 de outubro passado que um cessar-fogo suspendeu a ofensiva que o Exército israelita tinha em curso na Faixa de Gaza desde outubro de 2023, em resposta aos ataques de milícias extremistas palestinianas lideradas pelo Hamas no sul de Israel.
Os ataques do Hamas causaram cerca de 1.200 mortos e 251 reféns, cuja devolução estava prevista no acordo de cessar-fogo, e a retaliação israelita provocou mais de 71.400 mortos, bem como a destruição da Faixa de Gaza.
O acordo de cessar-fogo faz parte de um plano norte-americano que prevê também o desarmamento do Hamas e o governo do enclave palestiniano por uma autoridade transitória.