Mundo
Guerra no Médio Oriente
Guterres responde a Trump. ONU presta apenas contas aos seus Estados-membros
Só os Estados-membros das Nações Unidas podem rever o funcionamento da organização, frisou o secretário-geral da ONU, António Guterres, esta sexta-feira, em resposta a declarações do presidente norte-americano.
Donald Trump afirmou esta quinta-feira que o seu Conselho de Paz formado praticamente "supervisionará" a ONU para garantir o seu bom desempenho.
O porta-voz do secretário-geral, Stéphane Dujarric,explicou em conferência de imprensa que "o que está claro, se se consultar a Carta da ONU, que continua a ser o nosso princípio orientador, é que o trabalho da ONU é supervisionado pelos Estados-membros, através da Assembleia Geral e do Conselho de Segurança".
Trump, ao apresentar o seu Conselho de Paz, em Washington, referiu que, desde a reunião fundacional da sua entidade em Davos, na Suíça, tem "trabalhado muito de perto com as Nações Unidas". Mostrou intenção de conversar com Guterres.
Dujarric indicou que, após ouvir o líder republicano, Guterres entende que "espera uma chamada" dele.
Sem ONU
Em janeiro passado, Guterres afirmou que a Junta de Paz é, por agora, "amorfa", e que a apoia "estritamente" no seu trabalho de mediação na Faixa de Gaza.
"O nosso trabalho com a Junta de Paz enquadra-se nessa resolução do Conselho de Segurança", especificou o porta-voz. E acrescentou que na cerimónia do Conselho (ou Junta) de Paz de Donald Trump realizada hoje em Washington "não houve nenhum representante" da ONU, mas que a organização deu informações sobre o seu trabalho humanitário.
Ao primeiro encontro do Conselho de Paz realizado hoje em Washington assistiram líderes e representantes de mais de 40 países, como os presidentes da Argentina, Javier Milei, e do Paraguai, Santiago Peña, bem como o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán.
O republicano Donald Trump insistiu no seu discurso que este Conselho de Paz se encarregará de fortalecer a ONU, que na sua opinião tem um "potencial tremendo", mas reiterou as suas críticas à organização por considerar que esta deveria ter-se envolvido mais na resolução de conflitos do que tem feito até agora.
"Algum dia não estarei aqui. As Nações Unidas serão, creio, muito mais fortes. A Junta de Paz praticamente supervisionará as Nações Unidas e assegurará que funcionem bem", garantiu Trump na primeira reunião da sua entidade, vista por alguns analistas como uma alternativa ao multilateralismo do sistema da ONU.
EUA pagam
Os Estados Unidos pagaram entretanto cerca de 160 milhões de dólares (136 milhões de euros) dos quase quatro biliões de dólares (3,40 mil milhões de euros) que devem às Nações Unidas, informou hoje a organização. O pagamento feito pela administração de Donald Trump destina-se ao orçamento operacional regular da ONU, disse o porta-voz do secretariado das Nações Unidas, Stéphane Dujarric, à agência Associated Press (AP).
A ONU afirmou que os Estados Unidos devem quase 2,2 biliões de dólares (1,87 mil milhões de euros) ao orçamento regular da organização, incluindo 767 milhões de dólares (652 milhões de euros) para este ano, e 1,8 biliões de dólares (1,53 mil milhões de euros) para um orçamento separado destinado às operações de manutenção da paz da ONU ao redor do mundo.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou no mês passado que a organização enfrenta um "colapso financeiro iminente", a menos que as regras financeiras da organização sejam reformuladas ou que todos os 193 Estados-membros paguem as suas contribuições, numa mensagem aparentemente dirigida aos Estados Unidos.
A ONU afirmou que os Estados Unidos devem quase 2,2 biliões de dólares (1,87 mil milhões de euros) ao orçamento regular da organização, incluindo 767 milhões de dólares (652 milhões de euros) para este ano, e 1,8 biliões de dólares (1,53 mil milhões de euros) para um orçamento separado destinado às operações de manutenção da paz da ONU ao redor do mundo.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou no mês passado que a organização enfrenta um "colapso financeiro iminente", a menos que as regras financeiras da organização sejam reformuladas ou que todos os 193 Estados-membros paguem as suas contribuições, numa mensagem aparentemente dirigida aos Estados Unidos.
c/Lusa