Hamas pede a Conselho da Paz que obrigue Israel a respeitar acordo em Gaza

Hamas pede a Conselho da Paz que obrigue Israel a respeitar acordo em Gaza

O grupo islamita palestiniano Hamas instou hoje o Conselho da Paz, criado hoje por iniciativa do Presidente norte-americano, Donald Trump, a obrigar Israel a cumprir o plano de 20 pontos que antecedeu o cessar-fogo na Faixa de Gaza.

Lusa /

"Apelamos ao Conselho da Paz para que assuma as suas responsabilidades de pôr fim às violações da ocupação e fazer com que Israel cumpra as suas obrigações nos termos do acordo", afirmou o Hamas em comunicado, apontando a entrada de ajuda humanitária e materiais para abrigo, bem como o início da reconstrução do enclave palestiniano.

O grupo islamita observou que, desde a entrada em vigor da trégua, em 10 de outubro de 2025, pelo menos 484 palestinianos foram mortos por disparos israelitas e quase 1.300 ficaram feridos, em ataques quase diários que, na quarta-feira, vitimaram 11 pessoas, entre as quais três jornalistas.

O Hamas acusou ainda os líderes participantes no Fórum Económico Mundial, que decorre em Davos na Suíça, de "dirigirem ameaças para o lado palestiniano, que continua empenhado no acordo", em vez de abordarem os ataques israelitas, a retirada das suas tropas do enclave, ou o encerramento das passagens fronteiriças com a Faixa de Gaza.

O Presidente norte-americano assinou hoje em Davos a carta de criação de um Conselho da Paz, momentos depois de ter indicado que o organismo irá trabalhar "em coordenação" com as Nações Unidas.

"A carta está agora em vigor e o Conselho da Paz é agora uma organização internacional oficial", anunciou a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, na cerimónia, que contou com a presença de vários líderes que aceitaram o convite de Washington para participar no Conselho.

Pelo menos 35 dos cerca de 50 chefes de Estado e de Governo convidados concordaram em participar no Conselho da Paz, segundo indicou na terça-feira a Casa Branca, mas Trump convidou hoje todos os países a aderir à nova organização.

A primeira fase da trégua previa a troca de reféns (20 vivos e 28 mortos) por prisioneiros palestinianos, a retirada parcial das forças israelitas da Faixa de Gaza e a entrada de ajuda humanitária no território, tendo resistido, ao fim de mais de três meses, a acusações cruzadas de sucessivas violações do entendimento.

As próximas etapas preveem um governo de transição tecnocrático, já constituído e que responde perante o Conselho da Paz e ao seu líder Donald Trump, o desarmamento do Hamas e a criação de uma força militar internacional.

A guerra na Faixa de Gaza foi desencadeada pelos ataques liderados pelo Hamas em 07 de outubro de 2023 no sul de Israel, nos quais morreram cerca de 1.200 pessoas e 251 foram feitas reféns.

Em retaliação, Israel lançou uma operação militar em grande escala no enclave palestiniano, que provocou mais de 71 mil mortos, segundo as autoridades locais controladas pelo grupo islamita, um desastre humanitário, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação de centenas de milhares de pessoas.

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