Hezbollah nega ter escolhido Hashem Safi al-Din como sucessor de Nasrallah
O exército israelita anunciou no sábado a morte do líder do movimento islamita armado libanês Hezbollah, Hassan Nasrallah, num ataque na sexta-feira à sede da organização em Beirute. No domingo, a comunicação social saudita avançou com a informação de que Hashem Safi al-Din tinha sido eleito chefe do Conselho Executivo do Hezbollah. Mas o grupo xiita libanês veio negar, esta segunda-feira, a nomeação do clérigo para secretário-geral do movimento político e armado da organização.
Segundo o canal internacional de notícias em árabe, citado pela agência espanhola EFE, o conselho do Hezbollah já tinha escolhido Safi al-Din como sucessor de Hassan Nasrallah. Também os media libaneses indicavam que Safi al-Din, que atualmente lidera o conselho executivo da organização, já tinha sido designado como sucessor de Nasrallah em 2008, mas qualquer decisão oficial exigia uma ratificação do Conselho Shura do Hezbollah.
Esta segunda-feira, o Hezbollah negou a informação sobre a nova liderança do grupo xiita divulgada pela comunicação social com base em informações da imprensa saudita.
Fez os seus estudos islâmicos nas cidades sagradas de Najaf, no Iraque, e Qom, no Irão, onde se situam as principais escolas para quem aspira a tornar-se Grande Ayatollah, um dos mais altos títulos entre os islamitas xiitas.
De acordo com Naveed Ahmed, um analista de segurança citado pelo Guardian, é impossível para já prever quem será o novo líder do Hezbollah, considerando que o grupo xiita libanês não tem interesse em declarar publicamente quem elegeu.
Como a maioria dos altos responsáveis do Hezbollah - organização considerada terrorista por Israel e pelos Estados Unidos, mas não pela União Europeia, que apenas considera o seu braço armado uma organização terrorista -, Safi al-Din foi classificado como terrorista pelo Governo norte-americano em 2017, por ser "um membro-chave" do grupo, segundo uma nota então publicada pelo Departamento de Estado.
Uma das suas últimas intervenções públicas foi em meados de setembro, quando condenou o assassínio por Israel do comandante máximo da milícia do Hezbollah, Fuad Shukr, num bombardeamento seletivo nos bairros do sul de Beirute conhecidos como Dahye, a mesma zona onde Israel anunciou ter matado Nasrallah.
Cerca de um milhão de pessoas fugiram das suas casas nos últimos dias no Líbano devido à campanha de bombardeamentos israelita, anunciou no domingo o primeiro-ministro libanês, Najib Mikati, recordando que o seu Governo anda há "sete ou oito meses" a apelar para um cessar-fogo na Faixa de Gaza e no Líbano.
No domingo, o Exército israelita prosseguiu a sua campanha de violentos bombardeamentos contra bastiões do Hezbollah no Líbano, matando pelo menos 105 pessoas, dois dias após a morte do líder e de dezenas de outros membros do movimento islamita libanês.
Segundo o Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, mais de 70 mil libaneses e sírios que viviam no Líbano fugiram do país, a maioria dos quais atravessando a fronteira para a Síria, em consequência da intensificação dos bombardeamentos israelitas.