"Hipocrisia". Feijóo debaixo de fogo após ponderar conceder perdão a Puigdemont

por Joana Raposo Santos - RTP
Até dentro do PP surgiram críticas a Feijóo, com membros do partido a falarem numa "asneira" sem "explicação razoável". Ana Beltran - Reuters

O líder da oposição espanhola, Alberto Núñez Feijóo, anunciou estar disposto a conceder um perdão condicional ao ex-presidente da Catalunha, Carles Puigdemont, apesar de ter condenado fortemente essa hipótese quando o primeiro-ministro Pedro Sánchez a pôs em cima da mesa, nas últimas eleições. A direita conservadora fala em "hipocrisia" e exige explicações.

O Partido Popular (PP) de Feijóo veio já justificar-se, com Isabel Díaz Ayuso, presidente da Comunidade de Madrid, a garantir que “não se falou em qualquer tipo de perdão”.

“Não há perdões, não há amnistias. É inconstitucional e todo o Partido Popular foi, é e continuará a ser unânime” em relação a isso, disse por sua vez Carlos Mazón, presidente da Comunidade Valenciana.

Alberto Núñez Feijóo também já reagiu, clarificando que “a independência não pode contar com qualquer tipo de perdão” e que “não há condições” para o conceder neste momento, mas que talvez tal possa acontecer no futuro.O líder da oposição reiterou que o PP “continua a dizer não a qualquer amnistia, pois ela é ilegal”, mas não desmentiu que o partido tenha reunido e decidido sobre o assunto.

As declarações surgiram depois de, no sábado, fontes do partido terem revelado que este “estudou” durante 24 horas, no último verão, a legalidade da lei da amnistia e concluiu que estaria disposto a conceder um perdão condicional a Puigdemont.

Em troca, o PP iria exigir que o catalão fosse responsabilizado perante a justiça espanhola pelo seu papel na tentativa ilegal de independência em 2017, aceitando a sua pena, pedindo ele próprio o perdão e procurando depois uma “verdadeira reconciliação” na Catalunha.
“Hipocrisia” e “burla política”
À direita e à esquerda seguiram-se acusações de “hipocrisia” e “burla política”. Isto porque, aquando do impasse nas eleições espanholas do ano passado, o primeiro-ministro Pedro Sánchez ofereceu a amnistia a Puigdemont e a dezenas de outros envolvidos no movimento independentista em troca de apoio parlamentar, recebendo a condenação do PP.

Até dentro do próprio PP surgiram críticas a Feijóo, com membros do partido a falarem numa “asneira” sem “explicação razoável”, segundo a estação espanhola TVE.

“Suponho que haja uma explicação para isto, mas não sabemos qual é. Estamos estupefactos”, referiu um deles ao El País.

Analistas políticos acreditam que as fontes do partido que agora tornaram os factos públicos o fizeram numa estratégia de contenção de danos, já que Puigdemont poderá ter ameaçado revelar o que Feijóo lhe ofereceu durante as negociações pós-eleitorais de julho do ano passado.
Polémica agita eleições na Galiza
A informação acerca de Puigdemont veio a público numa altura em que se realiza a campanha eleitoral na Galiza, onde o Partido Popular governa há mais de três décadas, havendo votação marcada para o próximo domingo. As sondagens mostram uma perda de votos do PP para o Bloco Nacionalista Galego (BNG).

Carlos Mazón, presidente da Comunidade Valenciana, disse à RTVE que “há quem esteja a tentar aproveitar-se do facto de haver eleições na Galiza para sabotar tudo”, mas vincou que “não há possibilidade de chantagem com o Partido Popular”.

Já Miguel Tellado, porta-voz do PP no Congresso dos Deputados, afirmou esta segunda-feira à Informa Radio que as declarações sobre Puigdemont foram “retiradas do contexto” e fazem parte de uma “campanha” lançada pelo PSOE, de Pedro Sánchez.

Para este responsável, essa mesma campanha é “orquestrada por alguns meios de comunicação social” que pretendem insinuar que existe “algum contacto entre o Partido Popular e o independentismo catalão, quando não existe nenhum”.
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