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Hollande aborda sem pressa as presidenciais francesas
Conquistado “o obstáculo” das eleições primárias, a candidatura do socialista François Hollande às presidenciais francesas vai ser construída passo-a-passo e sem precipitações. É com esta postura que o candidato designado para enfrentar Nicolas Sarkozy e a União para um Movimento Popular (UMP) se apresenta, para já, ao eleitorado. O adversário do Presidente francês, que bateu a líder do PS Martine Aubry à segunda volta, com 56,6 por cento dos votos, sublinhou esta segunda-feira que há “várias etapas” a percorrer até ao duelo do próximo ano.
Com 56,6 por cento dos cerca de três milhões de votos contados na segunda volta das primárias do Partido Socialista, o candidato presidencial François Hollande, de 56 anos, reivindicava na noite de domingo “o mandato imperioso de fazer ganhar a esquerda” em 2012. Estendia, também, um ramo de oliveira à primeira secretária dos socialistas franceses, Martine Aubry, que obteve 43,4 por cento dos sufrágios. Reconheceu-lhe “em particular a dignidade”. Isto depois de uma campanha em que, apesar de um certo azedume, ficou patente que eram poucas as diferenças programáticas entre ambos.
Na memória de todos os socialistas, sobretudo de Hollande, continua vivo o fracasso das presidenciais de 2007, quando a dissensão entre a máquina do PS e a equipa da candidatura da sua ex-companheira Ségolène Royal ajudou à vitória de Nicolas Sarkozy. É para não repetir erros do passado que o vencedor das primárias socialistas quer agora garantir que “a ligação entre partido e candidato seja o mais simples possível”. “Não há necessidade de uma maquinaria complicada ou de um organigrama obscuro. É preciso confiança ou flexibilidade”, sustentou esta segunda-feira François Hollande, em declarações ao diário francês Le Monde.
É também necessário, na opinião do antigo número um socialista – entretanto apoiado pelos quatro candidatos eliminados na primeira volta, Ségolène Royal, Arnaud Montebourg, Manuel Valls e Jean-Michel Bayet -, que “a campanha aconteça a seu ritmo e hora”. “Não parto amanhã em campanha. Sou o candidato investido, mas vamos ter várias etapas. É preciso tempo se quisermos ser compreendidos e eficazes”, notou.
Entre as principais preocupações de Hollande está ainda o problema das nomeações para as legislativas de junho de 2012 – os militantes socialistas serão chamados a pronunciarem-se sobre estas investiduras no início de dezembro. O candidato quer “poder prosseguir as negociações com os ecologistas ou outras famílias políticas, não para vigiar ou para contrariar”, mas sim porque precisa de “conhecer os termos desses acordos”. Até porque está em causa “a preparação de uma futura maioria parlamentar, na qual o futuro Presidente terá de viver”.
“Responder taco-a-taco”
Conhecidos os números do escrutínio, Martine Aubry embarcou na maré da concertação entre as diferentes correntes do PS, ao afirmar que “o momento é agora de união” em torno do candidato socialista. Ainda assim, apressou-se a deixar clara a intenção de manter as mãos sobre o leme do partido, confirmando a vontade de retomar, de ora em diante, as funções de primeira secretária, cargo que ocupa desde o final de 2008. O que pode indiciar uma convivência pouco convergente.
De resto, a acrimónia da presidente da câmara de Lille face a Hollande esteve sempre em crescendo nos dias que antecederam a derradeira votação. Embora partilhe com o adversário a mesma linha moderada, defendendo, como François Hollande, uma combinação entre restrições orçamentais e justiça social, assim como uma disciplina nas contas públicas que permita respeitar os compromissos para com a União Europeia, Aubry esforçou-se por conotar a candidatura do antigo líder do partido com uma “esquerda mole”.
Ouvidos por Le Monde, partidários de Martine Aubry como o senador David Assouline e o secretário do PS francês para a Europa e as Relações Internacionais, Jean-Cristophe Cambadélis, consideram que a primeira secretária e o candidato presidencial “estão condenados a entenderem-se”. O primeiro lembra que “cerca de 45 eleitores em 100 votaram por Martine”. Mesmo que a autarca só tenha conseguido ser a mais votada em Paris e nos departamentos do Norte, Pas-de-Calais, Seine-Maritime e Somme, como assinala o jornal francês. O segundo conjetura que não terá escapado a François Hollande que “houve disparidades e locais onde ele não foi de facto maioritário”.
Já Julien Dray entende que o partido está obrigado a “reequilibrar a equipa da direção”. “Hoje François não está representando. É preciso fazer entrar um certo número de pessoas próximas de Hollande”, argumenta o deputado socialista, que faz também uma advertência contra a ideia de um percurso em ritmo brando até ao confronto final com a UMP: “Não há necessidade de recomeçar o erro de 2006, quando acreditávamos que tínhamos tempo. Eles vão atacar. É preciso responder taco-a-taco”.
Na memória de todos os socialistas, sobretudo de Hollande, continua vivo o fracasso das presidenciais de 2007, quando a dissensão entre a máquina do PS e a equipa da candidatura da sua ex-companheira Ségolène Royal ajudou à vitória de Nicolas Sarkozy. É para não repetir erros do passado que o vencedor das primárias socialistas quer agora garantir que “a ligação entre partido e candidato seja o mais simples possível”. “Não há necessidade de uma maquinaria complicada ou de um organigrama obscuro. É preciso confiança ou flexibilidade”, sustentou esta segunda-feira François Hollande, em declarações ao diário francês Le Monde.
É também necessário, na opinião do antigo número um socialista – entretanto apoiado pelos quatro candidatos eliminados na primeira volta, Ségolène Royal, Arnaud Montebourg, Manuel Valls e Jean-Michel Bayet -, que “a campanha aconteça a seu ritmo e hora”. “Não parto amanhã em campanha. Sou o candidato investido, mas vamos ter várias etapas. É preciso tempo se quisermos ser compreendidos e eficazes”, notou.
Entre as principais preocupações de Hollande está ainda o problema das nomeações para as legislativas de junho de 2012 – os militantes socialistas serão chamados a pronunciarem-se sobre estas investiduras no início de dezembro. O candidato quer “poder prosseguir as negociações com os ecologistas ou outras famílias políticas, não para vigiar ou para contrariar”, mas sim porque precisa de “conhecer os termos desses acordos”. Até porque está em causa “a preparação de uma futura maioria parlamentar, na qual o futuro Presidente terá de viver”.
“Responder taco-a-taco”
Conhecidos os números do escrutínio, Martine Aubry embarcou na maré da concertação entre as diferentes correntes do PS, ao afirmar que “o momento é agora de união” em torno do candidato socialista. Ainda assim, apressou-se a deixar clara a intenção de manter as mãos sobre o leme do partido, confirmando a vontade de retomar, de ora em diante, as funções de primeira secretária, cargo que ocupa desde o final de 2008. O que pode indiciar uma convivência pouco convergente.
De resto, a acrimónia da presidente da câmara de Lille face a Hollande esteve sempre em crescendo nos dias que antecederam a derradeira votação. Embora partilhe com o adversário a mesma linha moderada, defendendo, como François Hollande, uma combinação entre restrições orçamentais e justiça social, assim como uma disciplina nas contas públicas que permita respeitar os compromissos para com a União Europeia, Aubry esforçou-se por conotar a candidatura do antigo líder do partido com uma “esquerda mole”.
Ouvidos por Le Monde, partidários de Martine Aubry como o senador David Assouline e o secretário do PS francês para a Europa e as Relações Internacionais, Jean-Cristophe Cambadélis, consideram que a primeira secretária e o candidato presidencial “estão condenados a entenderem-se”. O primeiro lembra que “cerca de 45 eleitores em 100 votaram por Martine”. Mesmo que a autarca só tenha conseguido ser a mais votada em Paris e nos departamentos do Norte, Pas-de-Calais, Seine-Maritime e Somme, como assinala o jornal francês. O segundo conjetura que não terá escapado a François Hollande que “houve disparidades e locais onde ele não foi de facto maioritário”.
Já Julien Dray entende que o partido está obrigado a “reequilibrar a equipa da direção”. “Hoje François não está representando. É preciso fazer entrar um certo número de pessoas próximas de Hollande”, argumenta o deputado socialista, que faz também uma advertência contra a ideia de um percurso em ritmo brando até ao confronto final com a UMP: “Não há necessidade de recomeçar o erro de 2006, quando acreditávamos que tínhamos tempo. Eles vão atacar. É preciso responder taco-a-taco”.