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Hong Kong. Manifestantes invadem Assembleia legislativa
Manifestantes em Hong Kong forçaram esta segunda-feira a entrada na assembleia legislativa, causando o caos, ao partir vidros, destruir quadros e pintar paredes, no 22º aniversário da passagem de Hong Kong para a administração chinesa.
Segundo a Agência France Press, os manifestantes desfraldaram a bandeira do tempo colonial e conseguiram forçar a retroceder a força policial que se encontrava no interior do edifício e que tinha começado por tentar dispersar os manifestantes com o lançamento de gás mostarda.
A vaga de manifestações que pusera em causa sobretudo o projecto de lei permitindo a extradição para a China fora até agora pacífica e assume, neste caso, métodos mais violentos que contrastam com essa característica inicial.
Em todo o caso, as manifestações tinham já obtido um êxito significativo, que foi a retirada daquele polémico projecto de lei. Essa primeira vitória foi festejada na rua por uma multidão calculada em dois milhões de pessoas, segundo a estimativa dos organizadores, numa cidade com sete milhões.
Hoje, a manifestação para assinalar os 22 anos da passagem à soberania chinesa contou com dezenas de milhares de participantes, dos quais a partir de certa altura se destacaram pequenos grupos embuçados, que cortaram a circulação automóvel no centro da cidade e avançaram para o edifício da Assembleia legislativa.
O acordo de transição para a soberania chinesa prevê que continue a vigorar até ao ano de 2047 a norma "um país, dois sistemas", e que Hong Kong continue até então a disfrutar de liberdades formais inexistentes no resto da China. O projecto sobre a extradição foi visto como sintoma de uma política mais vasta para minar esta dualidade e para antecipar a data de submissão à ditadura chinesa.
Presentemente, os manifestantes continuam a reclamar a demissão da chefe de Governo, Carrie Lam, como responsável pela repressão dos protestos.