Hong Kong. Polícia carrega sobre protestos contra lei de extradição

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De forma a dispersar os manifestantes, que já enfrentavam as autoridades com guarda-chuvas e garrafas de plástico, as autoridades começaram a disparar balas de borracha e a usar gás pimenta
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Milhares de manifestantes concentraram-se esta quarta-feira em protesto junto ao Conselho Legislativo de Hong Kong, contestando a nova lei de extradição. A polícia disparou balas de borracha e granadas de gás lacrimogéneo.

Os protestos começaram pacificamente horas antes do debate da proposta de lei da extradição. Caso seja aprovada, esta peça legislativa vai permitir a extradição de suspeitos para a China continental.

A tentar impedir qualquer ação policial, os manifestantes formaram barricadas junto ao Parlamento. Ouviam-se palavras de ordem como “Não à China!” e “Precisamos de democracia!” e uma grande maioria, sobretudo jovens, usava máscaras ou lenços.

Esta é a segunda manifestação em massa na cidade em menos de uma semana. No passado domingo, centenas de milhares de pessoas protestaram contra a mesma proposta de lei, com os organizadores a falarem de mais de um milhão de manifestantes na rua, embora as forças policiais tenham admitido apenas a participação de 240 mil.

Pedro Oliveira Pinto - RTP

A polícia de Hong Kong começou por bloquear algumas vias no centro da cidade, preparando-se para uma eventual intervenção no local onde os manifestantes repetiam o protesto do passado domingo. Entretanto, durante a manhã desta quarta-feira, a polícia começou a ameaçar “usar a força”, segundo a Reuters.

De forma a dispersar os manifestantes, que já enfrentavam as autoridades com guarda-chuvas e garrafas de plástico, as autoridades começaram a disparar balas de borracha e a usar gás pimenta.

O chefe da polícia, Stephen Lo, instou então os manifestantes a “parar com a violência” para evitar “tumultos” e confirmou que a polícia estava a recorrer a balas de plástico.

Em resposta à carga policial, os manifestantes tentaram ergueram grades, mas a esmagadora maioria colocou as mãos no ar. Outros começaram a distribuir máscaras de proteção contra o gás pimenta.

Nas redes sociais e nos meios de comunicação locais são partilhados vídeos e imagens dos manifestantes a afastarem-se e a dispersarem após a carga policial e o lançamento de gás lacrimogéneo.


Um outro vídeo mostra os manifestantes a defenderem-se e a tentarem quebrar a barreira policial com guarda-chuvas.
Lei polémica em debate
Os manifestantes reuniram-se na zona da Lung Wo Road, uma importante artéria da região administrativa especial, perto dos escritórios da chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam.
Os manifestantes, apesar da carga policia, prometem não recuar até que a proposta de lei seja rejeitada.

Lam tem expressado que pretende avançar com esta legislação, apesar das profundas preocupações no centro financeiro asiático, inclusive entre os líderes empresariais, de que poderia minar a confiança dos investidores e corroer as vantagens competitivas de Hong Kong.

A lei de extradição, proposta em fevereiro e com votação final prevista para antes do fim de julho, permitirá que a chefe do Executivo e os tribunais de Hong Kong processem os pedidos de extradição de jurisdições sem acordos prévios. Isto é, em teoria os tribunais locais podem analisar os casos individualmente e usar o poder de veto para impedir certas extradições no território semi-autónomo da China e antiga colónia britânica.

Por um lado, os defensores da lei argumentam que, mantendo-se a impossibilidade de extraditar suspeitos de crimes para países com a China, Hong Kong pode transformar-se num “refúgio para criminosos internacionais”.

Por outro lado, os manifestantes receiam que Hong Kong fique sujeito ao sitema judicial chinês, como qualquer outra cidade da China continental, e a uma justiça politizada que não salvaguarde os Direitos Humanos.

Algumas empresas anunciaram até que pretendiam fechar as portas no sentido de permitir que os funcionários se juntassem à manifestação. O Governo de Hong Kong acabou por adiar o debate.

Em comunicado à imprensa, o Governo afirmou que a sessão de debate no Conselho Legislativo, prevista para as 11h00 (18h00 em Lisboa), foi adiada para “hora posterior a ser determinada”.

O acesso às instalações do Parlamento foi bloqueado e os funcionários aconselhados a não irem trabalhar.

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