Hospital de São Tomé permanece com roturas de medicamentos e falta de água potável - PM
O primeiro-ministro são-tomense visitou hoje o principal hospital do arquipélago, no dia em que completou um ano de governação, e disse ter constatado a persistência da falta de medicamentos, de água potável e de recursos humanos especializados.
"A falta de medicamentos não é novidade para ninguém, e não é nada que se venha a esconder, uma vez que sempre vivemos esta situação", disse Américo Ramos, após visitar todos os serviços do Hospital Central Dr. Ayres de Menezes.
O chefe do Governo são-tomense reforçou que são as instituições e países parceiros que têm assegurado grande parte dos medicamentos e consumíveis ao sistema nacional de saúde, através de doação, mas lembrou que a ajuda tem diminuído nos últimos anos.
No entanto, Américo Ramos avançou que alguns medicamentos e consumíveis têm chegado ao país nas últimas semanas "para resolver o problema imediato", defendendo, contudo, que "é preciso um planeamento real, a médio e longo prazo, para se evitar essas roturas constantes", o que deverá passar por compras conjuntas com outros parceiros.
Outro problema identificado, e reclamado pela população, é a falta de água potável no hospital: "Não há água para beber, para tomar banho, nem para tomar medicamento", reclamou uma paciente, que relatou que as pessoas internadas têm que comprar água engarrafada ou buscar em residências mais próximas.
"Eu sei, e todos nós sabemos, [que] o problema de água do hospital já vem de há algum tempo a essa parte [...] são questões estruturais que é preciso intervenções de fundo", disse Américo Ramos.
Além da falta de água e de medicamentos, o primeiro-ministro apontou igualmente a falta de recursos humanos especializados ao nível da saúde, por conta da emigração, e também a degradação da infraestrutura do hospital.
"Há uma carência de quadros a nível da saúde, por isso é preciso trabalhar neste aspeto", declarou o primeiro-ministro.
"O Governo tem feito um esforço titânico com os parceiros, privados e outros, para melhorar as condições deste hospital", acrescentou, sublinhando que o executivo está a trabalhar na implementação de medidas de curto e médio prazo para suprir as carências identificadas, incluindo a aquisição urgente de medicamentos e a melhoria da gestão do abastecimento de água.
O Governo são-tomense foi empossado há um ano, após o Presidente da República, Carlos Vila Nova, demitir o ex-primeiro-ministro Patrice Trovoada, alegando "assinalável incapacidade" de solucionar os "inúmeros desafios" do país e "manifesta deslealdade institucional".