Houthis do Iémen avançam para controlar o estratégico Estreito de Bab el-Mandeb

Houthis do Iémen avançam para controlar o estratégico Estreito de Bab el-Mandeb

Os Houthis do Iémen, alinhados com o Irão, estão próximos de obter o controlo sobre o estreito de Bab el-Mandeb - uma das rotas mais importantes do mundo para navios de transporte de mercadorias-, segundo fontes militares do Governo iemenita, enquanto os combates contra as forças apoiadas pela Arábia Saudita ameaçam levar a um retomar da guerra em grande escala.

Cristina Sambado - RTP / Adicionar como fonte informativa
Houthi Military Media Center via EPA

Testemunhas disseram ter visto forças rebeldes a entrar na cidade portuária a "gritar morte à América, morte a Israel", noticiou a agência France-Presse (AFP).

Os houthis já assumiram o controlo da cidade costeira de Mocha, e estão prestes a controlar também a localidade de Dhubab. As duas localidades estão situadas diretamente ao longo do estreito de Bab el-Mandeb.

As forças governamentais e os seus aliados estão a deslocar-se para sul, em direção a Dhubab, localidade situada exatamente no estreito, em frente à ilha de Perim.

O controlo de Dhubab e da ilha é fundamental para dominar o estreito, afirmaram as fontes.

Bab el-Mandeb, ou o "Portão das Lágrimas" — assim designado devido às suas perigosas condições de navegação —, é a saída sul do Mar Vermelho, situada entre o Iémen (na Península Arábica) e o Djibuti e a Eritreia (na costa africana). 

Isto torna o estreito um alvo estratégico valioso para os Houthis, que controlam as zonas mais populosas do Iémen e grande parte do norte do país.

É uma das rotas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo bruto e combustíveis do Golfo com destino ao Mediterrâneo — via Canal do Suez ou oleoduto SUMED, na costa egípcia do Mar Vermelho —, bem como para mercadorias destinadas à Ásia, incluindo o petróleo russo.O bloqueio desta passagem estreita isolaria os países produtores de petróleo do Golfo, como a superpotência energética Arábia Saudita, das suas principais rotas de transporte marítimo, depois de o Irão ter efetivamente fechado o Estreito de Ormuz — a principal artéria marítima de energia entre a Ásia e a Europa.

Houthis reportam cerca de 40 ataques sauditas
A Arábia Saudita realizou cerca de 40 ataques aéreos no Iémen nas últimas horas, afirmaram esta quinta-feira os Houthis — grupo apoiado pelo Irão —, após os recentes ataques dos rebeldes contra o reino.

"A aviação do inimigo saudita realizou cerca de 40 ataques nas últimas horas nas províncias de Taiz, Hodeida, Al-Jawf e Marib", informou a agência de notícias Saba, ligada ao movimento rebelde.

Os Houthis, que controlam parte do Iémen, lançaram na semana passada uma ampla ofensiva contra as forças governamentais apoiadas pela Arábia Saudita. Paralelamente, realizam ataques contra o reino; um deles fez dezenas de feridos na terça-feira.Na quarta-feira, "dispararam vários mísseis balísticos e drones contra as cidades de Khamis Mushait, Abha e Jizan", no sul da Arábia Saudita, indicou Turki Al-Maliki, porta-voz da coligação liderada por Riade.

Nos últimos dias, assistiu-se a uma escalada dos combates entre os aliados da Arábia Saudita no governo iemenita (reconhecido internacionalmente) e os Houthis — um segundo teatro de guerra no conflito que envolve o Irão que ameaça o abastecimento global de energia. Uma trégua mediada pela ONU em 2022 interrompeu em grande parte anos de guerra, mas continua frágil.
Ataques dos Houthis a cidades sauditasAs autoridades de defesa civil sauditas levantaram, esta quinta-feira, um alerta que tinha sido emitido de emergência na província de Khamis Mushait, no sudoeste do país — a quarta vez em 24 horas —, no meio da intensificação dos confrontos com os Houthis.

O perigo tinha passado, informaram os responsáveis da defesa civil logo após o alerta.

Pelo menos 73 pessoas ficaram feridas em quatro cidades do sul da Arábia Saudita, incluindo Khamis Mushait, nos recentes ataques Houthis contra o maior exportador de petróleo do mundo. O grupo apoiado pelo Irão afirmou ter atacado uma base aérea em Khamis Mushait e infraestruturas petrolíferas em cidades vizinhas, num dos maiores ataques à Arábia Saudita desde o início da guerra entre os EUA/Israel e o Irão, em fevereiro.

Segundo a AFP, desde a passada semana, os combates no Iémen fizeram mais de 500 mortos, na sua maioria combatentes de ambos os lados. O país voltou a mergulhar na guerra em julho, após anos de acalmia, arrastado para o conflito regional desencadeado pela ofensiva americano-israelita contra o Irão no final de fevereiro.

A escalada do conflito no Iémen acontece numa altura em que o Irão e os Estados Unidos protagonizam a maior onda declarada de ataques recíprocos contra embarcações na região do Golfo desde o início das hostilidades, em fevereiro. 

Duas fontes iranianas afirmaram que Teerão instruiu os houthis, na semana passada, para realizarem ataques contra a Arábia Saudita, prometendo financiamento e armamento adicionais, ao mesmo tempo que vários comandantes do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica se deslocaram ao Iémen para ajudar a coordenar as ofensivas.

Os houthis — um movimento militar, político e religioso que controla a maior parte do noroeste do Iémen — têm perturbado o comércio global e os mercados energéticos com ataques a navios de carga e petroleiros no Mar Vermelho.

Começaram a disparar contra navios e a lançar drones e mísseis contra Israel em novembro de 2023, afirmando agir em apoio dos palestinianos durante a guerra de Israel em Gaza, iniciada no mês anterior.

c/agências 
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