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HRW destaca fome, feminicídio e terrorismo em Moçambique

HRW destaca fome, feminicídio e terrorismo em Moçambique

A Human Rights Watch (HRW) afirma que os direitos humanos em Moçambique foram, em 2025, afetados pela insegurança alimentar, intensificação de ataques terroristas e sequestro de menores em Cabo Delgado, pelo feminicídio e repressão dos protestos pós-eleitorais.

Lusa /
Foto: UNICEF

Numa caracterização geral da conjuntura moçambicana, a Organização Não-Governamental (ONG) internacional indica no seu relatório anual que o conflito em Cabo Delgado intensificou-se no ano passado, levando a mais deslocamentos forçados, com as vítimas sem acesso a serviços de saúde e ajuda humanitária, além de mais sequestros de crianças.

"Segundo as Nações Unidas, mais de 95.000 pessoas fugiram da insegurança na região, sendo Chiúre, Ancuabe e Muidumbe as mais afetadas. O conflito afetou negativamente o acesso à saúde pública e à ajuda humanitária. Os combates levaram as organizações humanitárias a suspenderem as suas atividades, e as exigências de resgate e extorsão por parte dos grupos armados dificultaram a circulação dos trabalhadores humanitários", lê-se.

A HRW refere que os grupos terroristas aumentaram o rapto de crianças em Cabo Delgado, alvo de ataques desde 2017, utilizando-as para transportar bens saqueados, trabalho forçado e como combatentes contra as forças governamentais.

No documento indica-se igualmente que o ano de 2025 foi marcado pela continuação da violência pós-eleitoral - iniciada em finais de 2024 -, com homens armados não identificados, detendo à força e assassinando a tiro membros da oposição moçambicana, sem responsabilização criminal até ao momento.

A ONG aponta que pelo menos 10 membros de partidos da oposição foram mortos a tiro entre outubro de 2024 e março de 2025.

"A violência pós-eleitoral afetou gravemente muitas crianças. As forças de segurança mobilizadas para reprimir os protestos em todo o país mataram dezenas de crianças e detiveram centenas, em muitos casos por dias, sem notificar as suas famílias, em violação do direito internacional dos direitos humanos", lê-se no documento.

Moçambique ficou também marcado, em 2025, por sequestros e tentativas de assassínio a jornalistas e ativistas sociais, nunca clara tentativa de limitação às liberdades individuais e coletivas: "Em junho, soldados moçambicanos detiveram temporariamente, interrogaram e apreenderam os equipamentos de 16 jornalistas em Macomia, Cabo Delgado".

"Moçambique registou um aumento nos casos de violência de género, em particular homicídios. Em setembro de 2025, um grupo local de defesa dos direitos das mulheres, o Observatório da Mulher, havia registado pelo menos 43 casos de feminicídio e 42 casos de estupro contra mulheres e meninas. O Presidente, [daniel] Chapo, instou as instituições policiais a intensificarem as ações de combate ao feminicídio, especialmente na região central, admitindo que os índices são alarmantes", aponta ainda a HRW.

A ONG refere ainda que Moçambique sofreu no ano passado com a insegurança alimentar, causada sobretudo pela seca devido ao fenómeno El Niño, com a "diminuição significativa" da produção agrícola, sobretudo nas províncias de Tete e Manica, na região central, e Gaza e Inhambane, no sul, devido à precipitação abaixo da média, indicando que cerca de 2,1 milhões de pessoas enfrentaram níveis críticos de insegurança alimentar entre abril e setembro de 2025.

A HRW é uma organização internacional independente, com representação em mais de 40 países, que trabalha como parte de um movimento para defender a dignidade humana e promover a causa dos direitos humanos em todo o mundo. Além da defesa dos direitos humanos, investiga abusos, divulgando os resultados e "pressiona" os governos a avançar na resolução de conflitos, indica a própria.

 

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