Hungria prepara-se para bloquear novas sanções da União contra Rússia
O Governo húngaro condiciona a luz verde às sanções contra Moscovo à retoma do "fornecimento de petróleo" russo.
O ministro húngaro dos Negócios Estrangeiros sinalizou este domingo que o Governo de Viktor Orbán vai boicotar a aprovação do 20.º pacote de sanções da União Europeia contra a Rússia, invocando o corte nas remessas de petróleo russo por via do oleoduto Druzhba.A reunião do Conselho de Ministros dos Negócios Estrangeiros da União, para a adoção do novo conjunto de sanções, está agendada para segunda-feira.
"Vamos bloquear esta decisão", antecipou o chefe a diplomacia húngara, Peter Szijjarto, em mensagem publicada no Facebook.
"Enquanto os ucranianos não permitirem o fornecimento de petróleo à Hungria, não autorizaremos a adoção de decisões importantes para eles", reforçou.Uma das secções do oleoduto Druzhba atingidas pelos bombardeamentos da máquina da guerra russa é a ligação de Brody, no oeste da Ucrânia. É a partir daqui que petróleo é bombeado para os territórios de Eslováquia e Hungria.
Hungria e Eslováquia, que gozam de uma isenção que lhes permite importar petróleo da Rússia, argumentam que oleoduto já se encontra apto a retomar a operação de abastecimento.
Na passada sexta-feira, o primeiro-ministro húngaro anunciara um bloqueio ao empréstimo de 90 mil milhões de euros da União Europeia à Ucrânia, até que este país reativasse o Druzhba.
"Chantagem" e "ultimatos"
O Governo ucraniano veio, por sua vez, condenar o que considera ser "chantagem" e os "ultimatos" quer da Hungria, quer da Eslováquia, depois de estes países da Europa central terem ameaçado interromper o fornecimento de eletricidade de emergência.
Em comunicado, a diplomacia ucrâniana defende que a possível suspensão do fornecimento de eletricidade, que acontece no contexto de ataques russos contra a infraestrutura energética ucraniana, numa altura em que o país enfrenta condições de frio extremo, é “provocadora, irresponsável e ameaça a segurança energética de toda a região”.A Hungria - a par da Eslováquia - adquire à Rússia pelo menos 65 por cento do petróleo e 85 por cento do gás que consome.
O Ministério ucraniano alega que, com a concretização da ameaça, os governos da Hungria e da Eslováquia não só estariam a “beneficiar o agressor”, a Rússia, mas também a prejudicar as suas próprias empresas.
“A Ucrânia está em contacto constante com representantes da Comissão Europeia sobre os danos causados pelos ataques diários da Rússia contra a infraestrutura energética ucraniana. Também fornecemos informações sobre as consequências desses ataques contra a infraestrutura do oleoduto Druzhba aos governos da Hungria e da Eslováquia”, refere o ministério no comunicado.
O Governo da Ucrânia assegura que, não só está a trabalhar para reparar as infraestruturas danificadas, mas também propôs “vias alternativas” para fornecer petróleo não russo à Hungria e à Eslováquia.
“Ao mesmo tempo, à luz das ameaças infundadas e irresponsáveis que chegaram de Budapeste e Bratislava nos últimos dias, a Ucrânia está a considerar a possibilidade de ativar o Mecanismo de Alerta Precoce como parte do acordo entre a Ucrânia e a União Europeia”, acrescentou o ministério.
c/ agências