Mísseis russos atingem Kiev e Lviv. Um quarto dos ucranianos sem energia para aquecimento

Mísseis russos atingem Kiev e Lviv. Um quarto dos ucranianos sem energia para aquecimento

A dois dias de se completar o quarto aniversário da invasão russa, várias explosões foram ouvidas na capital da Ucrânia e na cidade de Lviv, onde as autoridades já tinham alertado para o risco de ataques com mísseis balísticos.

Inês Moreira Santos - RTP /
António Mateus - RTP

Ao fim de quase quatro anos, a Ucrânia continua a viver sem conseguir alcançar a paz. A Rússia atacou, durante a madrugada deste domingo, as cidades de Kiev e Lviv.

A Rússia atacou a Ucrânia com dezenas de drones de ataque e mísseis balísticos e de cruzeiro, atingindo principalmente a infraestrutura energética e matando pelo menos uma pessoa.

As autoridades ucranianas já tinham alertado a população da capital ucraniana para o risco de ataques com mísseis balísticos russos.

António Mateus, Mário Raposo - enviados especiais da RTP à Ucrânia

"Foi declarado um alerta de ataque aéreo em Kiev devido à ameaça do inimigo de usar armas balísticas", disse a administração militar da capital ucraniana pouco antes das explosões, que foram ouvidas pelas 4h00 (2h00 em Lisboa).

Em Lviv, um agente da polícia morreu e pelo menos 15 pessoas ficaram feridas.

"Este é claramente um ato terrorista", disse o autarca Andriy Sadovy num vídeo publicado nas redes sociais. "Quinze pessoas estão a receber assistência médica, algumas em estado muito grave. Uma polícia morreu".

Segundo os relatos, foram ouvidas duas explosões quase em simultâneo. As autoridades foram chamadas para uma denúncia de arrombamento no centro da cidade.

Quando a patrulha chegou ao local houve uma primeira explosão. E, momentos depois, aconteceu uma segunda explosão.

Jornal da Tarde | 22 de fevereiro de 2026

Já no sábado, um outro ataque, na região de Sumy provocou quatro mortos.

Volodymyr Zelensky disse, através da rede social X, que os ataques russos também atingiram as regiões de Dnipro, Kirovohrad, Mykolaiv, Poltava e Sumy.

"Quase 300 drones de ataque, a maioria deles 'Shaheds', e 50 mísseis de vários tipos, uma parcela significativa deles balísticos, foram lançados contra a Ucrânia", escreveu o líder ucraniano, acrescentando que o principal alvo do ataque foi o setor energético, mas prédios residenciais e infraestruturas ferroviária também foram danificados.

"Moscovo continua a investir mais em ataques do que em diplomacia", disse o presidente ucraniano, acrescentando que só esta semana, a Rússia lançou mais de 1.300 drones, mais de 1.400 bombas aéreas guiadas e 96 mísseis contra a Ucrânia.

 


 

A Rússia lançou uma invasão em grande escala da Ucrânia em 24 de fevereiro de 2022, desencadeando o mais grave conflito na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

Desde então, dezenas, senão centenas, de milhares de pessoas foram mortas de ambos os lados, e milhões de refugiados fugiram da Ucrânia, onde vastas áreas do território foram devastadas pelos combates.

A Rússia, que ocupa quase 20 por cento do território ucraniano, bombardeia diariamente áreas civis e infraestruturas, tendo recentemente desencadeado a pior crise energética do país desde o início da invasão.

"Não podemos dizer que estamos a perder a guerra, honestamente, certamente não estamos. A questão é se vamos ganhar", disse o Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky à agência de notícias France-Presse, na sexta-feira.

Marchas de solidariedade com as crianças ucranianas realizam-se hoje em várias cidades portuguesas, incluindo Porto, Coimbra e Lisboa, a dois dias do quarto aniversário da invasão da Ucrânia pela Rússia, a 24 de fevereiro de 2022.

Organizadas pela comunidade ucraniana em Portugal, as marchas pretendem assinalar os quatro anos da invasão russa da Ucrânia e chamar a atenção para o impacto da guerra nas crianças ucranianas, um dos grupos mais vulneráveis do conflito.

De acordo com a UNICEF, à entrada do quinto ano de guerra, um terço das crianças da Ucrânia continuam deslocadas, quase 2,6 milhões. Cerca de 1,8 milhões dessas crianças vivem como refugiadas fora do país e mais de 791 mil estão deslocadas dentro da Ucrânia.

Pelo menos 3.200 crianças morreram ou ficaram feridas durante os quatro anos de guerra.

C/agências

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