Iémen acusa milícias Huthis da morte de 150 civis

Iémen acusa milícias Huthis da morte de 150 civis

O Governo do Iémen, reconhecido internacionalmente, afirmou este domingo que pelo menos 150 civis morreram e mais de 200 ficaram feridos nos últimos dez dias em ataques atribuídos às milícias rebeldes Huthis.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: Khaled Abdullah - Reuters

"O Ministério dos Direitos Humanos condena energicamente a escalada militar e as violações generalizadas cometidas pelas milícias terroristas Huthis desde 03 de setembro", refere um comunicado, citando ataques em várias zonas das províncias de Taiz, Hodeida e Marib, incluindo bombardeamentos com mísseis balísticos, drones e diversos tipos de armamento contra áreas povoadas, campos de deslocados e comboios de civis em fuga.

Segundo um balanço inicial, os ataques provocaram "a morte de 150 civis e ferimentos em mais de 200", além de terem forçado cerca de 85.000 pessoas a abandonar as suas casas, sofrendo destruição de propriedades e perda de meios de subsistência.

O Ministério relatou casos de "bombardeamentos diretos contra civis em fuga" em Hodeida e ataques repetidos com mísseis e drones contra campos de deslocados e bairros residenciais em Marib, que causaram dezenas de mortos e feridos, incluindo crianças.

O Executivo sediado em Adén denunciou ainda "assaltos e saques a sedes de organizações internacionais, residências e instituições governamentais, bem como o sequestro de um jornalista em Moca, além de funcionários públicos e trabalhadores judiciais".

Sublinhando que estes atos "constituem graves violações do Direito Internacional Humanitário e dos Direitos Humanos", o Ministério afirmou ainda que alguns podem configurar crimes de guerra.

O comunicado responsabiliza diretamente os Huthis e insta a comunidade internacional, a ONU e o Conselho de Direitos Humanos a adotarem medidas urgentes para travar os ataques contra civis, proteger deslocados e instalações médicas, libertar sequestrados e esclarecer a situação dos detidos arbitrariamente. Paralelamente, pede apoio para documentação e preservação de provas, de modo a garantir proteção de vítimas e testemunhas e responsabilizar os culpados.

No mesmo dia, a Organização Internacional para as Migrações (OIM) contabilizou mais de 82.000 deslocados --- 56.000 deles da província de Taiz --- devido à ofensiva dos Huthis em Bab el Mandeb, que levou mais de 2.000 pessoas a fugir por mar para o Djibuti.

Mais de 500 soldados da Força de Resistência Nacional (FRN) do Governo reconhecido do Iémen foram mortos no último mês nos confrontos com os rebeldes Huthis na costa Sul do mar Vermelho entre 09 de agosto e 10 de setembro, segundo dados das autoridades.

A FRN conta com o apoio de forças suportadas pela Arábia Saudita, como a Guarda Revolucionária Islâmica.

os rebeldes Huthis, apoiados pelo Irão, lançaram uma ofensiva a 03 de setembro no estreito de Bab el Mandeb, conquistando a cidade de Moca e outros pontos na costa do mar Vermelho, capturando uma ilha estratégica e ameaçando uma rota alternativa ao Golfo, num duro revés para as autoridades reconhecidas internacionalmente.

Estes avanços aumentam a capacidade dos rebeldes de afetar o tráfego marítimo em Bab el Mandeb, cuja importância cresceu após as perturbações no estreito de Ormuz na sequência da ofensiva de 28 de fevereiro dos EUA e Israel contra o Irão.

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