Iémen. Ataques de coligação liderada pela Arábia Saudita fizeram vários mortos

Após os ataques, a coligação indicou que o líder separatista tinha fugido para local desconhecido. Pouco depois, o Conselho de Transição do Sul do Iémen assegurou que al-Zoubaidi permanecia no país a acompanhar os assuntos de segurança.

RTP /
Foto: Fawaz Salman - Reuters

A coligação liderada pela Arábia Saudita disse esta quarta-feira ter realizado "ataques preventivos limitados" contra os separatistas do sul do Iémen, para os impedir de "alargar o conflito" no país.

Mais de 15 ataques aéreos atingiram a província de Dhale, de acordo com uma autoridade local. O balanço inicial é de quatro civis mortos e seis feridos, segundo fontes dos hospitais Al-Nasr e Al-Tadamon.

Em comunicado, a coligação liderada pela Arábia Saudita indicou também que o líder dos separatistas, Aidarous al-Zoubaidi, "fugiu para um local desconhecido" e não embarcou no avião que o deveria levar à Arábia Saudita para as negociações de paz previstas para hoje.

Pouco depois, porém, o Conselho de Transição do Sul (STC) do Iémen afirmou que o líder do movimento separatista se encontra na cidade iemenita de Aden e continua a acompanhar os assuntos políticos e de segurança.

O movimento condenou também os ataques aéreos sauditas em zonas da província de Dhale, classificando-os como uma "infeliz escalada" que causou vítimas civis, incluindo crianças. Os ataques, acusa o Conselho, contradizem a anunciada tentativa de diálogo.

O STC manifestou ainda profunda preocupação com a segurança da delegação que enviou para negociações de paz em Riade, declarando que não tem conseguido contactar o grupo e que não tem recebido qualquer informação oficial sobre o paradeiro deste.

O Conselho apelou às autoridades sauditas para que garantam a segurança da delegação e permitam a comunicação imediata.Aviões atacaram posições militares e depósitos de armas
Segundo testemunhas, os aviões da coligação saudita atacaram posições militares na zona de Zubaid e, mais tarde, depósitos de armas ligados às forças leais a al-Zoubaidi, na zona de Habil al-Rida.

Vídeos partilhados nas redes sociais mostram repetidas explosões num edifício atingido pelos ataques aéreos, aparentemente envolvendo armas armazenadas.

Outras imagens que circulam na Internet mostram três cadáveres junto a uma estrada rural, mas a autenticidade não pôde ser imediatamente verificada. O STC, liderado por al-Zoubaidi, aspira recriar um Estado no sul do Iémen, onde uma república democrática e popular foi independente entre 1967 e 1990.

No início de dezembro, as forças separatistas tomaram vastos territórios, mas as fações próximas de Riade, apoiadas por ataques sauditas, retaliaram, recuperando este mês o terreno perdido.

A Arábia Saudita convidou então os dois campos para dialogarem, esta terça-feira, na capital saudita, a fim de pôr termo aos confrontos.

O Iémen está devastado por uma guerra civil desde que rebeldes xiitas Houthis, apoiados pelo Irão, tomaram em 2014 a capital Sanaa e, em seguida, grandes partes do país.

O conflito internacionalizou-se um ano depois, quando a Arábia Saudita assumiu a liderança de uma coligação internacional para apoiar o Governo iemenita contra os Houthis.

Rivalidades internas no campo anti-Houthis desencadearam um novo conflito em 2018, opondo os separatistas do sul, agrupados no STC, às forças do Governo, apoiadas respetivamente pelos Emirados Árabes Unidos e pela Arábia Saudita, outrora reunidos na mesma coligação.

c/ Lusa
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