Incêndio em França destapa centenas de projéteis da Segunda Guerra Mundial

Incêndio em França destapa centenas de projéteis da Segunda Guerra Mundial

Em La Porge, no sudoeste de França, foram recolhidos cerca de 400 projéteis de origem alemã e francesa.

Carlos Santos Neves - RTP / Adicionar como fonte informativa
La Porge foi particularmente atingida pela destruição de casas: arderam mais de 180 | Hans Lucas - AFP

O grande incêndio que lavrou em Gironda, departamento do sudoeste de França, revelou centenas de projéteis da Segunda Guerra Mundial, que obrigaram a vários dias de operações de desminagem. Em La Porge, o regresso dos moradores só agora foi possível.

La Porge foi a localidade mais atingida pela devastação de habitações causada pelo incêndio que rondou Bordéus. Ali, arderam mais de 180 casas. E as chamas deixaram à vista o passado.

Na manhã de segunda-feira, um repórter da France-Presse testemunhava a presença, no solo queimado de La Porge, de quatro projéteis com “cerca de 30 centímetros de comprimento, enferrujados e cobertos de terra”.“Perigo de morte absoluto: presença de projéteis”, advertiam placas erguidas nos arredores das zonas sujeitas à desminagem.


De acordo com as autoridades locais, as operações de desminagem permitiram recolher perto de 400 projéteis. Estes serão agora armazenados para posterior destruição em instalações militares.

Ouvido pela agência noticiosa francesa, o comandante dos bombeiros Thomas Mimiague descreveu explosões sentidas durante o incêndio e que poderão ter sido causadas pelos projéteis.


“Não se trata de um local de armazenamento oficial. Não sabemos bem porque estão ali, acreditamos que tenham sido simplesmente abandonados”, afirmou o responsável.As munições em causa são de origem alemã e francesa. Trata-se sobretudo de granadas de morteiro, mas foram também encontrados projéteis explosivos para tanques.

Além de La Porge, a luz verde para o regresso de moradores foi também acionada para o município vizinho de Lège-Cap-Ferret, incluindo a península turística de Cap Ferret, com a exceção dos parques de campismo.

De resto, quase todos os 224 mil moradores e turistas deslocados de 23 municípios, desde 22 de julho, puderam voltar às suas casas ou locais de veraneio.

O incêndio da região de Bordéus, considerado o mais grave desde 1949, foi dado como contido após queimar mais de 40 mil hectares em 11 dias. Na noite de domingo, os bombeiros ainda mediam forças com reacendimentos em Var e Gironda e um incêndio nas imediações de Carcassonne.

O Ministério francês do Interior adiantou que foram inquiridas 375 pessoas, entre as quais 142 menores, em presumível conexão com os incêndios. Trinta e seis ficaram detidas.

Os bombeiros franceses admitem que os trabalhos de extinção possam perdurar “até às chuvas de inverno”, com o fogo a permanecer latente, no subsolo, durante “vários meses”.

c/ AFP
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