Mundo
Incêndio em Lesbos. Governo grego promete abrigo para migrantes desalojados mais vulneráveis
Cerca de 13 mil migrantes ficaram desalojados depois de as chamas terem consumido o maior campo de refugiados da Europa na ilha grega de Lesbos, em Moria. Numa corrida contra o tempo para encontrar alojamento para os milhares de migrantes que fugiram dos incêndios, o Governo grego já garantiu “o alojamento imediato” dos grupos mais vulneráveis.
Sem nenhum sítio para ir, milhares de migrantes têm dormido nas ruas e em parques de estacionamento de supermercados da ilha grega de Lesbos depois de vários incêndios terem destruído o maior campo de refugiados da Europa.
Um segundo incêndio que deflagrou às primeiras horas da manhã de quarta-feira destruiu o que restava daquele campo, onde cerca de 13 mil migrantes viviam em condições precárias, num espaço sobrelotado.
O ministro das Migrações grego, Notis Mitarakis, prometeu que ainda esta quinta-feira serão tomadas "as ações necessárias" para que os grupos vulneráveis que ficaram desabrigados após o incêndio no campo de migrantes de Moria, em Lesbos, tenham onde dormir.
"Durante o dia, serão realizadas todas as ações necessárias para o alojamento imediato dos vulneráveis e suas famílias, em espaços especialmente concebidos", afirmou o ministério em comunicado.
Em declarações à rádio privada Skai, Notis Mitarakis disse que estas pessoas irão dormir ou num dos três navios que estão a ser preparados para os receber ou em tendas trazidas de outras ilhas. O gabinete do primeiro-ministro grego tinha também já avançado que mais de 400 crianças e adolescentes foram transferidos para o continente na madrugada desta quinta-feira, “onde ficarão temporariamente, enquanto o programa de realocação para outros países da UE está em curso”.
Porém, um porta-voz da marinha grega disse à agência de notícias EFE que, no momento, os dois navios militares designados para alojar os migrantes mais vulneráveis ainda estão no porto de Rafina, no continente, esperando ordem de zarpar para Lesbos.
A terceira embarcação, um 'ferry' comercial, já está ancorado em Sigri, no noroeste de Lesbos, esperando que os refugiados sejam transferidos do campo de migrantes de Moria para aquela localidade. A experiência mostra que, após os navios aportarem, o processo de embarque é longo.
Para além disso, Mitarakis também revela que cerca de duas mil pessoas poderão não ter acesso a um abrigo.
O que se sabe sobre o incêndio?
O Governo de Atenas já declarou estado de emergência e o ministro das Migrações admitiu estar perante “uma crise humanitária sem precedentes”. “Neste momento, o centro de acolhimento foi completamente destruído”, disse Mitarakis, considerando “um milagre” não haver registo de mortos ou feridos.
“A situação em Moria não pode continuar [como está], porque é simultaneamente uma questão de saúde pública e de segurança nacional”, disse o primeiro-ministro da Grécia, Kyriakos Mitsotakis, num discurso transmitido na televisão. Mitsotakis sublinhou que gerir os fluxos de migrantes é “um problema europeu”. De acordo com informações do Governo de Atenas, o grande incêndio destruiu 80 por cento do recinto interno do campo de Moria, tendo 3.500 pessoas ficado desalojadas, sendo que as restantes já viviam em tendas num olival.
"O fogo alastrou dentro e fora do campo e destruiu-o. Há mais de 12 mil migrantes a serem vigiados pela polícia numa auto-estrada", disse o presidente da câmara da principal cidade da ilha, Mylinene, à rádio privada Skai, citado pela agência de notícias Associated Press (AP).
"É uma situação muito difícil, porque alguns dos que estão no exterior incluem pessoas que são positivas [em relação ao novo coronavírus]", acrescentou o autarca Stratos Kytelis.
De acordo com a imprensa local, as forças policiais delimitaram com cordas o perímetro exterior do campo para evitar que os refugiados se deslocassem para a cidade de Mitilene, tendo utilizado granadas de gás lacrimogéneo para travar as tentativas de fuga.
As causas dos incêndios estão ainda a ser apuradas, mas tudo aponta que terão sido ateados na sequência da revolta de alguns requerentes de asilo colocados em isolamentos, após terem testado positivo à Covid-19.
O centro de acolhimento encontrava-se sob quarentena depois de terem sido detetados 35 casos de contaminação de Covid-19. O incêndio começou poucas horas depois de os contágios terem sido anunciados pelas autoridades. O Governo acredita, por isso, que o fogo foi provocado.
Segundo o ministro das Migrações, Notis Mitarakis, até ao momento as autoridades apenas localizaram oito das 35 pessoas contaminadas com SARS-CoV-2, estando as restantes ente os grupos que tentaram fugir do campo durante o incêndio.
“Tragicamente previsível”
Vários grupos humanitários denunciam há muito tempo as condições de vida neste campo de acolhimento, que abriga quatro vezes mais migrantes do que a sua capacidade declarada. Muito antes da pandemia de Covid-19, muitos grupos de direitos humanos criticavam as condições miseráveis em que habitam os milhares de migrantes.
“Os eventos em Moria na noite passada são imprensáveis, mas tragicamente previsíveis, já que a terrível situação nas ilhas já se prolonga por muito tempo”, diretora do Comité Internacional de Resgate na Grécia.
Um segundo incêndio que deflagrou às primeiras horas da manhã de quarta-feira destruiu o que restava daquele campo, onde cerca de 13 mil migrantes viviam em condições precárias, num espaço sobrelotado.
O ministro das Migrações grego, Notis Mitarakis, prometeu que ainda esta quinta-feira serão tomadas "as ações necessárias" para que os grupos vulneráveis que ficaram desabrigados após o incêndio no campo de migrantes de Moria, em Lesbos, tenham onde dormir.
"Durante o dia, serão realizadas todas as ações necessárias para o alojamento imediato dos vulneráveis e suas famílias, em espaços especialmente concebidos", afirmou o ministério em comunicado.
Em declarações à rádio privada Skai, Notis Mitarakis disse que estas pessoas irão dormir ou num dos três navios que estão a ser preparados para os receber ou em tendas trazidas de outras ilhas. O gabinete do primeiro-ministro grego tinha também já avançado que mais de 400 crianças e adolescentes foram transferidos para o continente na madrugada desta quinta-feira, “onde ficarão temporariamente, enquanto o programa de realocação para outros países da UE está em curso”.
Porém, um porta-voz da marinha grega disse à agência de notícias EFE que, no momento, os dois navios militares designados para alojar os migrantes mais vulneráveis ainda estão no porto de Rafina, no continente, esperando ordem de zarpar para Lesbos.
A terceira embarcação, um 'ferry' comercial, já está ancorado em Sigri, no noroeste de Lesbos, esperando que os refugiados sejam transferidos do campo de migrantes de Moria para aquela localidade. A experiência mostra que, após os navios aportarem, o processo de embarque é longo.
Para além disso, Mitarakis também revela que cerca de duas mil pessoas poderão não ter acesso a um abrigo.
O que se sabe sobre o incêndio?
O Governo de Atenas já declarou estado de emergência e o ministro das Migrações admitiu estar perante “uma crise humanitária sem precedentes”. “Neste momento, o centro de acolhimento foi completamente destruído”, disse Mitarakis, considerando “um milagre” não haver registo de mortos ou feridos.
“A situação em Moria não pode continuar [como está], porque é simultaneamente uma questão de saúde pública e de segurança nacional”, disse o primeiro-ministro da Grécia, Kyriakos Mitsotakis, num discurso transmitido na televisão. Mitsotakis sublinhou que gerir os fluxos de migrantes é “um problema europeu”. De acordo com informações do Governo de Atenas, o grande incêndio destruiu 80 por cento do recinto interno do campo de Moria, tendo 3.500 pessoas ficado desalojadas, sendo que as restantes já viviam em tendas num olival.
"O fogo alastrou dentro e fora do campo e destruiu-o. Há mais de 12 mil migrantes a serem vigiados pela polícia numa auto-estrada", disse o presidente da câmara da principal cidade da ilha, Mylinene, à rádio privada Skai, citado pela agência de notícias Associated Press (AP).
"É uma situação muito difícil, porque alguns dos que estão no exterior incluem pessoas que são positivas [em relação ao novo coronavírus]", acrescentou o autarca Stratos Kytelis.
De acordo com a imprensa local, as forças policiais delimitaram com cordas o perímetro exterior do campo para evitar que os refugiados se deslocassem para a cidade de Mitilene, tendo utilizado granadas de gás lacrimogéneo para travar as tentativas de fuga.
As causas dos incêndios estão ainda a ser apuradas, mas tudo aponta que terão sido ateados na sequência da revolta de alguns requerentes de asilo colocados em isolamentos, após terem testado positivo à Covid-19.
O centro de acolhimento encontrava-se sob quarentena depois de terem sido detetados 35 casos de contaminação de Covid-19. O incêndio começou poucas horas depois de os contágios terem sido anunciados pelas autoridades. O Governo acredita, por isso, que o fogo foi provocado.
Segundo o ministro das Migrações, Notis Mitarakis, até ao momento as autoridades apenas localizaram oito das 35 pessoas contaminadas com SARS-CoV-2, estando as restantes ente os grupos que tentaram fugir do campo durante o incêndio.
“Tragicamente previsível”
Vários grupos humanitários denunciam há muito tempo as condições de vida neste campo de acolhimento, que abriga quatro vezes mais migrantes do que a sua capacidade declarada. Muito antes da pandemia de Covid-19, muitos grupos de direitos humanos criticavam as condições miseráveis em que habitam os milhares de migrantes.
“Os eventos em Moria na noite passada são imprensáveis, mas tragicamente previsíveis, já que a terrível situação nas ilhas já se prolonga por muito tempo”, diretora do Comité Internacional de Resgate na Grécia.
Para além disso, a Agência da ONU para os Refugiados, ACNUR, diz ter
recebido relatos de tensão entre habitantes de aldeias vizinhas e
requerentes de asilo. A promessa de realocação dos migrantes mais vulneráveis é vista como um passo positivo, mas espera-se que estes enfrentem forte resistência por parte dos residentes locais.
As autoridades já estavam em desacordo com a população de Lesbos relativamente ao plano de substituição de Moria por um centro de acolhimento fechado. Os residentes temem que isto signifique que milhares de requerentes de asilo ali permaneçam permanentemente.
c/agências