Incêndio em Londres. Moradores alertaram para "condições perigosas"

| Mundo

Este foi um dos maiores e mais catastróficos incêndios de que há memória na capital britânica
|

Um inferno nas alturas. A capital britânica acordou esta quarta-feira para um cenário de horror, com a torre Grenfell, um edifício de 24 andares, totalmente em chamas. O número de vítimas mortais ainda não está fechado. Por agora desconhece-se as causas deste incêndio, mas um grupo de protesto organizado por moradores avisava, em novembro do ano passado, que os responsáveis pela manutenção do edifício estavam “a brincar com o fogo”.

Depois dos vários avisos e queixas por parte dos moradores, o pior dos desfechos. A torre Grenfell foi construída em 1974, incluída no projeto Lancester West Estate, a norte de Kensington. No edifício moravam 125 famílias, cerca de 600 pessoas, num total de 24 andares que esta quarta-feira arderam praticamente na totalidade e largaram uma gigantesca nuvem de fumo sobre os céus de Londres.

Na sequência deste incêndio morreram pelo menos 12 pessoas - balanço provisório. Sessenta e oito continuam a ser assistidas nos hospitais da cidade e, destas, pelo menos 18 encontram-se em estado crítico.

Deste incêndio - um dos maiores e mais catastróficos de que há memória na capital britânica - emergem os relatos de horror de moradores que foram apanhados de surpresa pelas chamas, por volta das 0h45 de quarta-feira, com muitas pessoas ainda desaparecidas.


Mas aos relatos de horror juntam-se as dúvidas sobre as condições de segurança do edíficio. Ainda não se conhece o que esteve na origem deste incêndio, sabendo-se apenas que as chamas terão deflagrado entre o segundo e o quarto andar.
May promete investigação
Quase 24 horas após o incêndio, os moradores de Grenfell revoltam-se contra a empresa proprietária do edifício e queixam-se que alertaram para as questões de segurança durante vários anos, sem terem no entanto qualquer resposta ou uma solução viável.

A primeira-ministra Theresa May já prometeu uma investigação "apropriada" para apurar a origem deste incêndio.

"No devido tempo, quando o local estiver completamente seguro, quando for possível identificar as causas deste incêndio, haverá uma investigação apropriada e, se houver alguma lição a ser aprendida, serão tomadas as medidas necessárias", referiu esta noite a governante britânica.



Em outubro de 2015 um edifício da mesma empresa proprietária, também em Kesington, perto de Notting Hill, esteve em chamas. No entanto, o incêndio na torre Adair não provocou vítimas mortais. Dezasseis moradores foram assistidos por inalação de fumo. 

Na sequência deste incidente, a torre de Grenfell foi alvo de um investimento superior a dez milhões de libras, depois de um grupo de moradores em protesto ter alertado para o facto de o edifício ter uma única saída de emergência.

As renovações, levadas a cabo pela Rydon, uma empresa privada, incluíram a instalação de novos revestimentos de exterior, vidros duplos, novo sistema de aquecimento comum a todos os apartamentos e ainda a melhoria nos sistemas de ventilação e de segurança em caso de incêndio.

No entanto, a empresa só se mostrou disponível para rever a política após ter recebido uma “notificação de deficiência” das mãos dos bombeiros de Londres, também no ano passado. Os responsáveis inspecionaram várias propriedades na zona e alertaram especificamente para as portas de entrada dos apartamentos. 
"Evento catastrófico"
Apesar de todos os investimentos, os moradores alertavam para os perigos latentes no edifício. Apenas alguns meses depois, em novembro de 2016, um grupo de moradores alertava para a falta de ação por parte da Kensington and Chelsea Tenants Management Organisation (KCTMO), a empresa proprietária da Grenfell. 

“Apenas um evento catastrófico poderá expor a inépcia e a incompetência do nosso senhorio, a KCTMO, e acabar com as perigosas condições de vida e com a negligência da legislação de saúde e segurança, perante os seus inquilinos e arrendatários”, pode ler-se numa nota de protesto publicada no blogue do grupo. No título, lê-se que a empresa estaria "a brincar com o fogo".

Os moradores do Grenfell Action Group criticaram também a forma como as obras decorreram, sobretudo a instalação de aquecedores de água nos corredores de vários andares, o que dificultou “ainda mais” o acesso aos apartamentos.

Documentos para a revisão da política de segurança em caso de incêndio, que foram consultados pelo jornal britânico The Guardian, mostram que a KCTMO, responsável por vários apartamentos naquela zona da cidade, admitia, também em novembro de 2016, que seria necessário adotar “uma abordagem mais proactiva para a instalação de dispositivos de fecho automático”, bem como avisos de fogo na entrada de todos os prédios e ainda resolver “questão do armazenamento” em áreas comuns. 
  
Na reação ao incêndio desta quarta-feira, o número um da KCTMO referiu em comunicado que os acontecimentos da torre Grenfell foram “desoladores” e prometeu novas declarações para breve, sem fazer referência às alegações dos moradores.   

Tópicos:

Incêndio, Kensington, Londres,

A informação mais vista

+ Em Foco

A Redação da RTP votou sobre as figuras e acontecimentos mais destacados, a nível nacional e internacional. Veja aqui as escolhas.

    O embaixador russo em Lisboa afirma, em entrevista à RTP, que as declarações e decisões de Donald Trump sobre Jerusalém podem incendiar todo o Médio Oriente.

    Rui Rosinha, bombeiro de Castanheira de Pêra, sofreu queimaduras de terceiro grau e esteve dez horas à espera de ser internado. Foi operado 14 vezes e regressou a casa ao fim de seis meses.

    Uma caricatura do mundo em que vivemos.