Intervenção militar dos EUA é "um perigo real" para Cuba
O embaixador de Cuba em Lisboa afirmou hoje que uma intervenção militar norte-americana, semelhante às que ocorreram na Venezuela e no Irão, constitui um "perigo real" para a ilha, face à "política agressiva" de Washington.
"Tudo é possível, realmente. Além disso, a sua política [dos Estados Unidos] é agressiva" e isso demonstra que "há um perigo real contra Cuba", disse José Ramón Saborido Loidi, em entrevista à agência Lusa.
O embaixador cubano adiantou que alguns setores da política norte-americana, "inclusive de extrema-direita", estão a pressionar para uma "ação mais rápida" sobre a ilha caribenha.
"Mas estamos tranquilos, preparados, o povo está preparado, há muitos anos que nos preparamos para isso, para a defesa, e o custo será evidentemente muito alto, e vamos realmente tentar evitar isso", defendeu.
Na passada sexta-feira, um dia antes do início dos ataques israelitas e norte-americanos contra o Irão, o Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que estava a ponderar uma "tomada de controlo pacífica" de Cuba.
"O Governo dos Estados Unidos, ou o Presidente Trump podem dizer qualquer coisa. Seria necessário traduzir um pouco o que isso significa", reagiu o diplomata cubano em relação às declarações do líder norte-americano.
"Muitos de nós sabemos realmente que nada disso é bom", continuou, defendendo que, no entanto, "a resposta do país e do povo é realmente aquilo pelo qual sempre lutou durante tantos e tantos anos: a sua soberania e a sua independência".
O embaixador referiu que o Governo cubano está sempre disponível para conversar com os Estados Unidos, em negociações que sejam em "igualdade de condições e respeito".
"Não se pode ir a uma conversa entre países partindo de posições de força, temos que sentarmo-nos à mesa de negociação em igualdade de condições e com o respeito que cada um merece", prosseguiu o representante diplomático de Havana, adiantando que, nessas condições, Cuba "sempre esteve disposta a sentar-se para negociar, para possibilidades reais".
"Porque temos muitas possibilidades", para "cooperar para o desenvolvimento da melhoria da assistência social, para ajudar, porque Cuba sempre foi solidária com o mundo", acrescentou.
Em janeiro, após a captura pelos Estados Unidos do líder venezuelano Nicolás Maduro, aliado de Havana, Cuba perdeu o acesso ao petróleo venezuelano e Trump ordenou a imposição de tarifas aos países que fornecem petróleo à ilha, agravando a pior crise económica e social que o país vive desde 1959.
O Gabinete de Direitos Humanos da ONU assinalou que o bloqueio dos Estados Unidos viola a Carta das Nações Unidas e o Direito Internacional, além de provocar o desmantelamento do sistema alimentar, sanitário e de abastecimento de água na ilha.
Esta foi uma entrevista à Lusa, cujas restantes declarações sobre o impacto do embargo petrolífero norte-americano e as implicações no setor do Turismo serão publicadas na quinta-feira.