Invasões em Brasília. Lula condena "conivência explícita da polícia"

O presidente brasileiro reprovou na segunda-feira a forma como, num primeiro momento, as forças de segurança reagiram ao avanço de apoiantes de Jair Bolsonaro sobre edifícios das estruturas do poder em Brasília, no domingo. Lula da Silva, que esteve reunido com governadores e representantes dos 27 Estados do Brasil, apontou mesmo "uma conivência explícita da polícia apoiando os manifestantes".

RTP /
"Havia uma conivência explícita da polícia apoiando os manifestantes" André Borges - EPA

"Eles querem é golpe e golpe não vai ter", clamou Lula da Silva, para acrescentar que os apoiantes do ex-presidente Jair Bolsonaro "têm que aprender que a democracia é a coisa mais complicada para a gente fazer, porque exige a gente suportar os outros, exige conviver com quem a gente não gosta, com quem a gente não se dá bem, mas é o único regime que permite que todos têm a chance de disputar e quem ganhar tem o direito de governar".O presidente do Brasil esteve reunido como governadores, juízes do Supremo Tribunal Federal, incluindo a presidente do tribunal, Rosa Weber, ministros, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, o primeiro vice-presidente do Senado, Veneziano Vital do Rego, e o procurador-geral da República, Augusto Aras.

Lula não hesitou em apontar o dedo a elementos das forças de segurança que acompanharam os bolsonaristas até à Praça dos Três Poderes, na capital federal brasileira: "Havia uma conivência explícita da polícia apoiando os manifestantes. Mesmo aqui no Palácio [do Planalto], soldado do exército brasileiro conversando com as pessoas como se fossem aliados".

O chefe de Estado referiu que foram entretanto detidas pelo menos 1.500 pessoas e garantiu que o Governo federal tratará de acautelar que as investigações cubram todos aqueles que estiveram envolvidos em atos de vandalismo"Descobrir quem financiou"


Segundo o presidente brasileiro, as investigações visarão apurar os nomes dos financiadores das caravanas de autocarros que levaram os bolsonaristas a Brasília, assim como dos acampamentos frente a quartéis em todo o Brasil, entretanto desmontados pelas autoridades.

"Vamos descobrir quem financiou e pagou. Sou especialista em acampamentos e greves e é impossível ficar dois meses sem ter financiamento para garantir o pão de cada dia. Não vamos ser autoritários, mas vamos investigar", vincou Luiz Inácio Lula da Silva.

"Foi muito difícil conquistarmos a democracia nesse país. Precisamos de aprender a conviver democraticamente na diversidade", completou."Não vamos permitir que a democracia escape"


Defendendo uma convergência entre esquerda, centro, direita e instituições republicanas, na generalidade, Lula deixou um repto: "Não vamos permitir que a democracia escape das nossas mãos, porque é a única chance de a gente garantir que esse povo humilde consiga comer três vezes ao dia, ou ter direito de trabalhar".

Os interlocutores da reunião encaminharam-se, juntos, até à sede do Supremo Tribunal Federal.

Milhares de apoiantes de Jair Bolsonaro, que se encontra nos Estados Unidos desde a tomada de posse de Lula da Silva, invadiram no domingo as sedes do Supremo Tribunal Federal, do Congresso e do Palácio do Planalto, em Brasília.

c/ Lusa

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