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Investigadores portugueses ajudam a criar mapa cerebral de risco de doenças psiquiátricas
Estudo com com a participação da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), desenvolveu mapas de risco genético para doenças psiquiátricas com base em imagens da estrutura do cérebro e numa técnica de biologia molecular que analisa a expressão de genes num determinado momento.
"Este trabalho revela como o risco genético para doenças psiquiátricas se organiza no cérebro humano e se relaciona com alterações estruturais cerebrais observadas em neuroimagens", explica Daniel Martins, professor e investigador na área das Neurociências, citado num comunicado da FMUP enviado às redações esta segunda-feira.
Os investigadores utilizaram um método inovador que integra dados genéticos de larga escala e a neuroimagem para analisar sete doenças psiquiátricas, incluindo depressão, esquizofrenia, perturbação de hiperatividade/défice de atenção (PHDA), autismo e perturbação obsessivo-compulsiva.
O objetivo, adianta o investigador, era "compreender por que certas regiões cerebrais são mais vulneráveis em cada uma das doenças psiquiátricas".
“As alterações estruturais do cérebro observadas em algumas doenças psiquiátricas não surgem ao acaso, mas refletem, em parte, a organização molecular do próprio cérebro. Na depressão major e na esquizofrenia, por exemplo, há uma correspondência clara entre padrões de expressão génica associados ao risco genético e as regiões cerebrais mais afetadas”, acrescenta.
Os investigadores utilizaram um método inovador que integra dados genéticos de larga escala e a neuroimagem para analisar sete doenças psiquiátricas, incluindo depressão, esquizofrenia, perturbação de hiperatividade/défice de atenção (PHDA), autismo e perturbação obsessivo-compulsiva.
O objetivo, adianta o investigador, era "compreender por que certas regiões cerebrais são mais vulneráveis em cada uma das doenças psiquiátricas".
Embora estas doenças tenham múltiplas causas que resultam da interação entre fatores genéticos, ambientais e do neurodesenvolvimento, as abordagens tradicionais tendem a analisar a suscetibilidade genética e as alterações neuroanatómicas separadamente.
O novo estudo permite, por isso, "projetar o impacto do risco genético no espaço do cérebro, com base em mapas de risco derivados da expressão génica. Esta abordagem estabelece uma ponte direta entre genes, processos moleculares e alterações anatómicas observadas por ressonância magnética", explica Daniel Martiins.
“As alterações estruturais do cérebro observadas em algumas doenças psiquiátricas não surgem ao acaso, mas refletem, em parte, a organização molecular do próprio cérebro. Na depressão major e na esquizofrenia, por exemplo, há uma correspondência clara entre padrões de expressão génica associados ao risco genético e as regiões cerebrais mais afetadas”, acrescenta.
Segundo o docente da FMUP, os resultados indicam ainda que diferentes doenças psiquiátricas parecem envolver mecanismos biológicos distintos. "Enquanto a depressão e a esquizofrenia mostram forte envolvimento de vias imunitárias e inflamatórias, a PHDA apresenta maior associação a processos de neurodesenvolvimento".
O investigador defende que esta abordagem não é reducionista e que "os genes não determinam isoladamente a doença, antes interagem com fatores ambientais, desenvolvimento e experiência ao longo da vida".
Publicado na revista científica Molecular Psychiatry, do grupo Nature, o estudo envolveu também investigadoores do King’s College London (Reino Unido), Universidade Goethe (Alemanha) e Universidade de Padova (Itália).