IRA decide pôr fim à luta armada

O Exército Republicano Irlandês (IRA) ordenou a todos os militantes para porem fim à luta armada a partir de hoje às 16 horas (mesma hora em Lisboa), anunciou hoje um comunicado do IRA.

Agência LUSA /
DR

O IRA pede ainda aos seus membros que deponham as armas e contribuam para alcançar os seus objectivos por meios exclusivamente "democráticos, políticos e pacíficos".

O IRA pede aos militantes para continuarem a lutar pelo objectivo da reunificação da Irlanda e do fim da autoridade britânica sobre a Irlanda do Norte por meios exclusivamente políticos.

"Os voluntários receberam instruções para contribuir para o desenvolvimento de um programa puramente político e democrático por meios exclusivamente pacíficos", adianta o comunicado.

No entanto, a organização sublinha que não se dissolverá, um dos pedidos apresentados pelos unionistas para negociar com o Sinn Fein, braço armado do IRA, a formação de um governo partilhado no Ulster, que permanece suspenso desde 2002 por um suposto caso de espionagem do IRA em departamentos governamentais.

O comunicado indica que a direcção do grupo ordenou também aos voluntários para não se envolverem "noutro tipo de actividades", numa clara referência a delitos do IRA, como contrabando de bens, assaltos ou castigos corporais contra membros da comunidade nacionalista.

O comunicado do IRA surge em resposta ao apelo efectuado a 06 de Abril pelo presidente do Sinn Fein, Gerry Adams, para que o grupo abandonasse a luta armada e se adaptasse à via democrática.

Esta decisão histórica do IRA, que cumpre um cessar-fogo em vigor desde 1997, deve conduzir à desactivação do conjunto do aparelho paramilitar da organização, iniciativa sem precedentes desde a formação deste grupo clandestino em 1970.

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