Iraniana Shirin Ebadi homenageia jornalistas e cartoonistas por lutarem com canetas

por Lusa

A advogada iraniana Shirin Ebadi, Prémio Nobel da Paz em 2003, agradeceu hoje aos jornalistas e aos cartoonistas por enfrentarem o regime do Irão "com canetas, através das palavras e da arte", lembrando aqueles que estão presos por o fazerem.

Shirin Ebadi, mentora da ativista iraniana Narges Mohammadi, Prémio Nobel da Paz de 2023 que se encontra presa no Irão, foi a convidada de honra de um evento hoje organizado em Genebra, Suíça, pela Fundação dos Cartoonistas pela Liberdade e pela cidade de Genebra, em parceria com o Instituo Superior de Genebra, por ocasião do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa.

"Claro que os ditadores não gostam de cartoonistas, tal como não gostam de jornalistas, pois não gostam de liberdade de expressão", afirmou Ebadi, num evento apresentado e moderado pela jornalista norte-americana Christiane Amanpour, da CNN, no qual participaram ainda três cartoonistas: a norte-americana Ann Telnaes, a indiana Rachita Taneja e a tunisina Nadia Khiaria.

Congratulando-se por o evento também homenagear cartoonistas, Shirin Ebadi destacou a importância do desenho de cariz humorístico e sarcástico, observando que atualmente "há uma fadiga das pessoas relativamente a notícias, pois estão cansadas de notícias perturbadoras", algo que o cartoon consegue contornar dado "ter o elemento de ironia, prender a atenção e não exigir tempo".

Apontando que "cerca de uma centena de jornalistas e bloggers encontram-se presos" no Irão simplesmente "por escreverem a verdade", a advogada laureada com o Nobel da Paz em 2003 sublinhou que "quem quer que diga o que seja através da imprensa, da internet, e da arte, como é o caso dos cartoons, será punido pelo regime" e "muitos bons cartoonistas já foram presos e outros tiveram de fugir do país".

Dando conta de "uma repressão que é cada vez mais brutal" por parte do regime do líder supremo do Irão, o `ayatollah` Ali Khamenei, Shirin Ebadi afirmou-se, contudo, absolutamente convicta de que "a liberdade vai vencer", e em boa parte devido ao grande movimento pela defesa dos direitos das mulheres, que tem sido violentamente reprimido.

"Mais de 80% da população é contra este regime. Se tivessem querido pegar em armas, já o teriam derrubado, mas felizmente os movimentos têm sido pacíficos. Mas o regime vai acabar por soçobrar, podem ter a certeza. Também ninguém pensou que a União Soviética, que era muito mais forte do que este regime, acabasse. Acabou e o mesmo vai acontecer com o Irão. Este regime vai ser derrubado, até porque a oposição, sobretudo na diáspora, que esteve sempre dividida, está agora a unir-se", afirmou, acrescentando que a liberdade chegará também pelas mãos das mulheres.

A cerimónia terminou com a atribuição do Prémio Kofi Annan Coragem nos Cartoons 2024, aos cartoonistas Zunzi, de Hong Kong, e Rachita Taneja, da Índia, ambos por trabalhos muito focados na censura que experimentam nas respetivas sociedades.

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