Irão diz ter perdido contacto com drone após EUA anunciarem abate de aeronave
O Irão admitiu ter perdido o contacto com um drone Shahed-129 em águas internacionais depois de este ter "concluído com sucesso" a missão de transmitir imagens de movimentações militares na zona próxima do país.
Horas antes, o Comando Central das forças armadas dos Estados Unidos (EUA) indicou que um caça da Marinha norte-americana abateu um drone iraniano que se aproximava do porta-aviões "USS Abraham Lincoln" no mar Arábico.
"Um drone da Guarda Revolucionária transmitiu imagens com sucesso para a sua base, mas a comunicação perdeu-se", informou na terça-feira à noite a agência de notícias Tasnim, ligada à força militar de elite do Irão.
A Fars, outra agência de notícias também ligada à Guarda Revolucionária, referiu que a missão do drone era acompanhar os movimentos militares nas águas adjacentes à República Islâmica e transmitir as imagens para a base em terra.
Em comunicado, o Comando Central das forças armadas dos EUA relatou que o drone "aproximou-se agressivamente" do porta-aviões norte-americano com "intenção incerta" e continuou a voar em direção ao navio antes de ser abatido por um caça F-35.
"Um caça F-35C do porta-aviões `Abraham Lincoln` abateu o drone iraniano em legítima defesa e para proteger o porta-aviões e a tripulação a bordo", esclareceu Tim Hawkins, porta-voz do Comando Central, no comunicado.
O drone Shahed-139 foi abatido, segundo as forças norte-americanas, quando o porta-aviões navegava a cerca de 800 quilómetros da costa sul do Irão, não tendo sido registados ferimentos nem danos.
Os militares norte-americanos lamentaram que este incidente tenha ocorrido "apesar das medidas de desanuviamento" adotadas pelas suas forças, que "operavam em águas internacionais".
O Presidente do Irão, Masoud Pezeshkian, anunciou na terça-feira que instruiu o ministro dos Negócios Estrangeiros a procurar negociações "justas e equitativas" com os Estados Unidos, num sinal de abertura ao diálogo.
Numa mensagem divulgada na rede social X, Pezeshkian afirmou que a iniciativa surge após "pedidos de governos amigos da região" para responder à proposta de Washington e iniciar negociações.
Os Estados Unidos juntaram-se em junho passado aos ataques israelitas na República Islâmica e bombardearam instalações ligadas ao programa nuclear iraniano, que Teerão alega ter apenas fins pacíficos.
Ao longo de janeiro, as autoridades iranianas reprimiram com alta violência protestos antigovernamentais contra o elevado custo de vida, vindo a reconhecer 3.117 mortos, na maioria manifestantes.
Os números oficiais são contestados por organizações não-governamentais de defesa dos direitos humanos, que alegam estar em posse de dados que confirmam uma dimensão muito superior, a que somam dezenas de milhares de detidos.