Em direto
Manifestantes pela habitação reivindicam vitória judicial. "Protesto tem direito de acontecer nos moldes em que tem acontecido"

Irlanda admite novo debate na UE pedido por Portugal sobre taxação das petrolíferas

Irlanda admite novo debate na UE pedido por Portugal sobre taxação das petrolíferas

A Irlanda admitiu hoje pedir à Comissão Europeia que retome a discussão sobre a taxação dos lucros extraordinários das empresas petrolíferas, depois de Portugal e outros Estados-membros terem pedido uma solução europeia face à crise energética.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

"Sem querer antecipar a discussão de hoje, imagino que esta será uma oportunidade para os diferentes participantes apresentarem algumas opiniões iniciais sobre a sua perspetiva relativamente a um imposto sobre os lucros extraordinários no setor da energia", afirmou o ministro das Finanças da Irlanda, Simon Harris, país que ocupa este semestre a presidência rotativa do Conselho da União Europeia (UE).

"Existem posições diferentes nos vários Estados-membros e, posteriormente, é provável que peça à Comissão Europeia para voltar a este assunto, apresentando algumas reflexões adicionais no Ecofin formal de outubro, no Luxemburgo", acrescentou o governante, em declarações à chegada para a reunião dos ministros das Finanças da zona euro e da UE, em Dublin.

Simon Harris acrescentou que "esse formato é muito do agrado daqueles que assinaram a carta".

Para hoje está previsto um primeiro debate sobre a matéria, que o governante irlandês decidiu de forma "prudente" incluir no almoço dos ministros das Finanças da UE depois de receber a carta dos seis países -- Portugal, Alemanha, Áustria, Espanha, Itália e Polónia -- com tal pedido.

O responsável prometeu ser um "mediador imparcial", mas certo é que a Irlanda, como outros países, já aprovou no passado uma medida deste tipo, após a crise energética desencadeada pela invasão russa da Ucrânia.

O Governo português sugeriu hoje que a Comissão Europeia use a metodologia nacional como base para uma eventual solução europeia de tributação dos lucros extraordinários das empresas petrolíferas, que tem vindo a ser rejeitada por Bruxelas.

"Haverá já uma primeira discussão, pois, durante o dia, os seis países - onde Portugal se inclui - que assinaram a carta, farão essa posição, tentando convencer a Comissão dos argumentos e de que a Comissão deveria avançar com uma proposta comum", afirmou o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento.

Em declarações à agência Lusa à entrada para a reunião informal dos ministros das Finanças da zona euro, em Dublin pela presidência rotativa do Conselho da União Europeia, o governante português da tutela considerou que uma medida comunitária em vez de nacional traria "salvaguardas no sentido de que agora seria aplicado a todo o espaço europeu e, portanto, seria algo mais harmonizado entre todos".

"Portugal não deixa de ter o facto de que já avançou e está em discussão no parlamento uma proposta e, portanto, até a própria metodologia portuguesa pode servir de ponto de partida para a definição de uma metodologia europeia", sugeriu Joaquim Miranda Sarmento.

Portugal, Alemanha, Áustria, Espanha, Itália e Polónia têm vindo, através de duas cartas dirigidas às instituições europeias, a defender uma resposta comum para tributar os lucros extraordinários das empresas petrolíferas, argumentando que a guerra no Médio Oriente está a pressionar os preços da energia enquanto as petrolíferas registam níveis elevados de rentabilidade e margens de refinação superiores à subida do preço do petróleo bruto.

Bruxelas tem vindo a considerar, porém, que a tributação dos lucros extraordinários é uma competência dos Estados-membros.

Portugal aprovou uma proposta para criar uma Contribuição de Solidariedade Temporária sobre o Setor Petrolífero, aplicável aos resultados de 2026, que prevê uma taxa de 33% sobre a parte dos resultados relevantes que exceda em mais de 20% a média dos lucros registados em 2024 e 2025 pelas empresas dos setores do petróleo bruto e da refinação.

 

Tópicos
PUB