Irmandade Muçulmana conduzirá o Egipto a uma nova "Idade Média"

O candidato secular às presidenciais egípcias, Ahmed Shafiq, atacou este domingo a poderosa Irmandade Muçulmana, afirmando que, se chegar à presidência do Egipto, o grupo islâmico irá aterrorizar os cristãos e reconduzir o Egipto à "Idade Média", ou idade "das Trevas".

Graça Andrade Ramos, RTP /
O ex-general e candidato à presidência do Egipto, Ahmed Shafiq afirmou-se esta tarde como único garante do respeito pelos direitos humanos no país. Khaled Elfiqi

Foi o contra-ataque de Shafiq, a quem o candidato rival, o islâmico Mohammed Morsi apoiado pela Irmandade, acusou de ser a continuação dos 30 anos de opressão militar de Mubarak.

Morsi está a procurar tirar dividendos políticos da condenação à prisão perpétua, este sábado, do Presidente deposto Hosni Mubarak, pela morte de mais de 800 manifestantes na revolta popular de 2011.

Shafiq, um ex-general, foi o último primeiro-ministro sob a presidência de Mubarak e tem baseado a sua campanha no anseio de muitos egípcios por estabilidade governativa após 15 meses de transição violenta.

Após as acusações de Morsi, sedes de campanha de Ahmed Shafiq foram atacadas.
Contra-ataque
Este domingo, o candidato secular jogou a sua cartada, apelando aos receios de milhões de egípcios e afirmando-se como o único garante de que os direitos humanos serão respeitados no país.

"Ninguém será detido pela sua opinião. Os serviços de segurança serão guiados pela lei e pelas normas dos Direitos do Homem", garantiu o candidato à eleição presidencial marcada para 16 e 17 de junho.

"Eu represento o Estado não-religioso, a Irmandade representa um estado sectário. Eu represento o progresso e a luz, eles representam o retrocesso e o obscurantismo", acrescentou Shafiq.

Para concluir que ele, Shafiq, "aspira a um Estado justo, não religioso, moderno" ao passo que a Irmandade Muçulmana faria o Egipto regressar à "Idade Média".
Pena "leve"
A condenação de Mubarak à prisão perpétua está a inflamar a campanha presidencial. Milhares de egípcios reagiram com indignação ao que consideram uma pena "leve", já que exigiam que Mubarak fosse enforcado. O ex-presidente foi ainda absolvido, tal como os dois filhos, das acusações de corrupção.

O juiz que presidiu ao julgamento do ex-presidente, justificou a sentença este sábado com o facto dos procuradores terem produzido um processo de acusação "fraco" e cheio de lacunas quanto a provas e testemunhos. Esta tarde a procuradoria egípcia afirmou que vai apelar da absolvição quanto às acusações de corrupção.
Absolvidos libertados este domingo
Cinco dos seis altos-responsáveis pela segurança durante a revolta que depôs Mubarak deverão entretanto ser libertados ainda este domingo, após terem sido absolvidos da responsabilidade nas mortes na altura da revolta, no mesmo julgamento que condenou Mubarak e o seu ministro do Interior.

Segundo a agência egípcia de notícias, Mena, o sexto alto-responsável, o antigo chefe da segurança do estado Hassan Abdel Rahmane, permanecerá detido a aguardar o resultado de um inquérito sobre a destruição de documentos deste serviço, um dos mais temidos da era Mubarak.
PUB