Israel confirma que Hamas mantém quase 200 pessoas como reféns

por Cristina Sambado - RTP
Mais de 1.400 pessoas morreram em Israel no ataque do Hamas; mais de 2.750 foram mortas na retaliação israelita contra Gaza Ibraheem Abu Mustafa - Reuters

As Forças de Defesa de Israel confirmaram esta segunda-feira que 199 pessoas estão ainda reféns do movimento Hamas, na sequência do ataque de 7 de outubro.

“Informámos as famílias dos 199 reféns”, afirmou um  porta-voz militar durante uma conferência de imprensa esta segunda-feira.

“Os esforços relativos aos reféns são uma prioridade nacional”, acrescentou o mesmo responsável, que frisou ainda que o “exército e Israel estão a trabalhar dia e noite para os libertar”. Mais de 1.400 pessoas morreram em Israel no ataque do Hamas, segundo os últimos números fornecidos pelas autoridades israelitas. Mais de 2.750 foram mortas nos ataques de retaliação de Israel na Faixa de Gaza, um microterritório governado pelo movimento islâmico palestiniano e sitiado por Israel.

Entre os 199 reféns encontra-se um jornalista israelita de 83 anos que foi levado da sua casa no kibbutz de Nir Oz, juntamente com outro profissional de comunicação social de 85 anos.
Os dois jornalistas escreveram, durante décadas, no jornal de esquerda Al Hamishmar, em prol da paz e do reconhecimento do povo palestiniano, avança o jornal britânico The Guardian.

O profissional de 83 anos foi, em 1972, um dos líderes na defesa dos beduínos (grupo árabe de habitantes do deserto) residentes na bacia de Rafah, que foram expulsos na ocupação do Sinai. Esteve também entre os primeiros jornalistas que chegaram a Sabra e Shatila, no Líbano, e relatou o massacre que ocorreu nos campos de refugiados palestinianos em Beirute, em setembro de 1982. Nos últimos anos, foi voluntário de um grupo que transporta doentes palestinianos para receberem tratamentos em vários hospitais de Israel.

Outros reféns terão sido levados de suas casas nas comunidades fronteiriças israelitas que foram invadidas por militares do Hamas, ou provavelmente raptados numa zona perto da fronteira.


Entre os prisioneiros, vivos e mortos, contam-se soldados israelitas, mulheres, crianças, idosos, trabalhadores estrangeiros e cidadãos com dupla nacionalidade de pelo menos 15 países, incluindo 13 franceses, oito alemães, cinco norte-americanos, dois mexicanos e vários israelitas.

Após os ataques, os familiares dos desaparecidos fizeram vários apelos em busca de informações sobre o paradeiro dos reféns.

Durante a sua visita a Israel, há dois dias, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, manifestou preocupação com os reféns que são cidadãos da União Europeia ou com dupla nacionalidade, bem como com os cerca de mil cidadãos da UE presos em Gaza, alguns deles a trabalhar em ONG e organismos governamentais.
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