Israel diz que diplomata búlgaro Mladenov vai dirigir Conselho de Paz de Trump para Gaza
Um antigo enviado da ONU para o Médio Oriente, o diplomata búlgaro Nickolay Mladenov, foi escolhido para dirigir a Comissão de Paz do Presidente dos EUA, Donald Trump, responsável por supervisionar o cessar-fogo em Gaza, anunciou hoje o primeiro-ministro de Israel.
Num momento em que foram relatadas pelo menos mais oito mortes devido a ataques israelitas naquele território.
A nomeação do diplomata búlgaro Nickolay Mladenov representa um passo importante no plano de paz para o Médio Oriente de Trump, que tem avançado lentamente desde o acordo de um cessar-fogo em outubro, pondo fim a mais de dois anos de confrontos entre Israel e o Hamas.
Benjamin Netanyahu fez o anúncio depois de ter-se reunido com Mladenov em Jerusalém, identificando-o como o diretor-geral "designado" para a comissão, que tem como objetivo supervisionar a execução da segunda fase do cessar-fogo, muito mais complicada.
Um alto responsável dos EUA, que falou sob condição de anonimato, porque a nomeação ainda não foi oficialmente anunciada, também confirmou que Mladenov é a escolha da administração Trump para ser o administrador da comissão em campo. Trump disse que irá presidir ao conselho.
Outras nomeações são esperadas na próxima semana, segundo as autoridades israelitas e americanas, que falaram sob condição de anonimato à espera de um anúncio formal.
Segundo o plano de Trump, o conselho deverá supervisionar um novo governo palestiniano tecnocrático, o desarmamento do Hamas, o destacamento de uma força internacional de segurança, recuos adicionais das tropas israelitas e a reconstrução, pós conflito. Os EUA têm reportado pouco progresso em qualquer uma destas frentes até agora.
Mladenov é um ex-ministro da Defesa e dos Negócios Estrangeiros da Bulgária que serviu como enviado da ONU no Iraque antes de ser nomeado enviado da ONU para a paz no Médio Oriente entre 2015-2020. Durante esse período, manteve boas relações com Israel e trabalhou frequentemente para aliviar tensões entre Israel e o Hamas.
A primeira fase do cessar-fogo deteve os combates e permitiu a troca de reféns detidos pelo Hamas por centenas de palestinianos detidos por Israel.
O acordo manteve-se em grande parte, embora tenha sido manchado por acusações mútuas de violações. O Hamas ainda não devolveu os restos mortais de um refém, um polícia israelita morto no ataque de 7 de outubro de 2023 em Israel que desencadeou a guerra.
Os contínuos ataques israelitas em Gaza, entretanto, mataram mais de 400 palestinianos, segundo as autoridades locais de saúde.
Israel afirma que os ataques foram uma resposta a violações do acordo, mas as autoridades de saúde palestinianas afirmam que dezenas de civis foram mortos.
As forças israelitas também foram responsabilizadas por pelo menos 8 mortes hoje. Ataques israelitas na Faixa de Gaza mataram pelo menos oito pessoas, segundo responsáveis hospitalares palestinianos e familiares.
O Hamas classificou as mortes como uma "flagrante violação do cessar-fogo."
Pelo menos 12 pessoas ficaram feridas, adiantaram responsáveis hospitalares.
O exército de Israel afirmou não ter conhecimento de quaisquer vítimas relacionadas com ataques na área de Jabaliya, no norte de Gaza.
Na quinta-feira, líderes egípcios e da União Europeia reunidos no Cairo instaram ao envio de uma força internacional de estabilização para a Faixa de Gaza para supervisionar o cessar-fogo de outubro.
"A situação é extremamente grave. Ainda assim, o Hamas recusa-se a desarmar, bloqueia o progresso para a próxima fase do plano de paz, enquanto Israel também está a restringir as ONGs internacionais, colocando o acesso à ajuda humanitária em sério risco", disse Kaja Kallas, chefe da política externa da UE.
"Não há justificação para que a situação humanitária em Gaza se tenha deteriorado até o nível atual", acrescentou.
O acordo de cessar-fogo faseado permanece na sua fase inicial enquanto os esforços continuam para recuperar os restos do último refém em Gaza.
O Fórum de Reféns e Famílias Desaparecidas de Israel disse na quarta-feira que foi notificado de que as equipas tinham reiniciado a procura por Ran Gvili.