Israel quer "Intifada" para discurso anti-Palestina ganhar votos, diz ONG israelita

Israel quer "Intifada" para discurso anti-Palestina ganhar votos, diz ONG israelita

Em entrevista à RTP Antena 1, o fundador da ONG Kerem Navot, Dror Etkes, diz que há uma estratégia concertada a caminho das eleições de outubro, que passa por provocar os palestinianos na Cisjordânia até que se revoltem, causem violência, e o discurso extremista ganhe novo fôlego.

Camila Vidal - RTP Antena 1 / Adicionar como fonte informativa
Ammar Awad - Reuters

Os episódios de violência na Cisjordânia são cada vez mais extremos e a organização não governamental israelita Kerem Navot acredita que se deve à proximidade das eleições legislativas, marcadas para o final de outubro.

Nos últimos dias, o exército israelita confirmou que soldados das suas fileiras marcaram com números detidos palestinianos na Cisjordânia. As próprias Forças de Defesa de Israel reconhecem ter sido um erro e, afirmam, já repreenderam os responsáveis, mas não se anunciaram medidas disciplinares.

A ONG israelita, que monitoriza os colonatos na Cisjordânia, fala na "brutalização do exército" e "deterioração da disciplina militar", já que os soldados não cumprem as regras internas e saem impunes. O fundador da Kerem Navot, Dror Etkes, afirma que "o exército é um espelho da sociedade israelita" e considera que as movimentações das últimas semanas, com o intensificar da violência militar e expansão dos colonatos, serve um objetivo: "a esperança da direita israelita de que eventualmente haja uma explosão, que os palestinianos expludam, que haja uma nova Intifada", detalha Etkes.

Na opinião do ativista, uma violenta insurreição palestiniana daria novo fôlego à narrativa anti-Palestina do atual governo de Israel, a caminho das legislativas e à procura da reeleição.

"Uma parte significativa da sociedade israelita apoia esta violência", continua o responsável, que estima que a maior fatia da população reaja com indiferença ao que se passa nos territórios ocupados: "a maior parte provavelmente não quer saber, não se importa", já que se normalizou a violência naquele território. Mas há vozes que se levantam, sublinha o fundador da ONG Kerem Navot, referindo-se a "um grupo provavelmente em crescimento que se opõe a isso, que está cada vez mais consciente destas ações e que não gosta". Dror Etkes lamenta que sejam poucos os que estão dispostos a "arriscar impedir o que está a acontecer" - nessa posição só está um número "muito reduzido de israelitas" que estão na Cisjordânia a documentar o que se passa.
Tópicos
PUB