Israel rejeita plano norte-americano para Gaza aceite pelo Hamas
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou hoje que "Israel rejeita" o mais recente roteiro de paz apresentado por Washington, aceite pelo Hamas, e condicionou qualquer retirada israelita a um desarmamento "real" do movimento islâmico.
"Israel rejeita o documento de 15 pontos" apresentado no final de julho pelo "Conselho de Paz" de Donald Trump, afirmou Netanyahu durante uma reunião do executivo.
Netanyahu insistiu que as forças armadas israelitas "não farão qualquer retirada" do território palestiniano enquanto o Hamas não for verdadeiramente desarmado".
"As Forças de Defesa de Israel não efetuarão qualquer retirada até ao desarmamento do Hamas. E quando digo `desarmamento do Hamas`, refiro-me tanto às armas pesadas como às ligeiras: todas as armas", afirmou Netanyahu num vídeo publicado nas redes sociais.
O primeiro-ministro israelita afirmou que estão a dialogar com a parte norte-americana depois de terem rejeitado o acordo, que tinha sido aceite pelo Hamas e por outras milícias palestinianas armadas.
"Eles têm ideias; algumas são aceitáveis para nós e outras não, e sabemos como nos manter firmes perante estas questões", argumentou.
"A existência de Israel e a segurança de todos os cidadãos de Israel não estão sujeitas a negociação. Mantemo-nos firmes nestes interesses", frisou Netanyahu, acrescentando que as tropas israelitas continuarão a impedir as "ameaças" existentes contra Israel e os seus cidadãos.
Netanyahu reiterou que, enquanto for primeiro-ministro, não haverá um Estado palestiniano.
"Nem em Gaza nem na Judeia e Samaria (Cisjordânia). Nem `Fataquistão` nem `Hamastão`", afirmou, numa referência ao partido do Presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, a Fatah, e ao Hamas.
As declarações surgem depois de o diretor-geral do Conselho de Paz para Gaza, o diplomata búlgaro Nickolay Mladenov, ter confirmado que o Governo israelita, através do gabinete de segurança presidido por Netanyahu, tinha dado "luz verde" à entrada em Gaza da Força Internacional de Estabilização, a missão de paz organizada pelo próprio Trump.
Na noite de sexta-feira, a televisão pública israelita Kan, citando informações divulgadas pela imprensa sobre a reunião do Governo realizada no dia anterior, noticiou que os ministros do Governo de Netanyahu se opunham à implementação do cessar-fogo, para já, de duas semanas,.
A ideia de uma trégua tem a ver com a necessidade de travar os ataques com vista à aplicação do plano de desarmamento do Hamas.
Após a reunião, ficou por decidir a autorização formal de Israel para a entrada em Gaza da Força Internacional de Estabilização, um contingente multinacional proposto no âmbito do Conselho da Paz.
"O Hamas aceitou o plano de 15 pontos, mas não renunciou ao seu objetivo de destruir Israel", advertiu na altura o brigadeiro-general Ofir Mizrahi-Rozen, chefe da inteligência militar do Exército israelita, em declarações citadas pelo jornal Israel Hayom e reproduzidas por outros meios de comunicação social do país.
Por seu lado, David Zini, chefe do Shin Bet -- o serviço de segurança interna israelita --, advertiu o gabinete de que o acordo do Hamas sobre o roteiro para Gaza é uma "emboscada estratégica", destinada a ganhar tempo e a garantir que Israel não volte a operar em Gaza antes das eleições, previstas para o outono.
Vários ministros, entre os quais Bezalel Smotrich, Orit Strock, Avi Dichter e Zeev Elkin, todos de extrema-direita, pressionaram Netanyahu para declarar formalmente a rejeição de Israel à aplicação do plano anunciado no final de julho por Trump, segundo o qual a milícia palestiniana se comprometeu a desarmar-se se as tropas israelitas abandonassem a Faixa.
Na reunião, o ministro ultranacionalista da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, confrontou Netanyahu e apelou à manutenção diária de ataques seletivos em Gaza, ao que o primeiro-ministro respondeu que "nos próximos 90 dias, nada será tático".
c/Lusa