Itália e Bélgica rejeitam tratamentos com hidroxicloroquina

por RTP
Reuters

Depois de o Governo francês ter anunciado esta quarta-feira a proibição do uso de hidroxicloroquina no tratamento de doentes com Covid-19, também a Itália e a Bélgica decidiram suspender este fármaco. A decisão dos três países surge dias após a publicação de um estudo que indica, não só que o tratamento é ineficaz contra o novo coronavírus, mas que aumenta o risco de morte dos pacientes.

O executivo francês anunciou esta quarta-feira a decisão de revogar o decreto de 11 de maio que autorizava a administração de hidroxicloroquina a pacientes infetados com Covid-19. Este fármaco contra a malária estava a ser utilizado para tratar os casos mais graves no país desde março, mas agora é proibido.

Também a Bélgica e a Itália colocam agora novos entraves à utilização da hidroxicloroquina. As autoridades de saúde belgas consideram que o fármaco é desaconselhado e pede que o mesmo não seja usado em testes clínicos.

No mesmo sentido, as autoridades de saúde italianas consideraram hoje que existe “pouca evidência” que apoie o uso de hidroxicloroquina em pacientes com Covid-19, pelo que o fármaco deve ser abolido dos testes clínicos.

De acordo com a Agência Italiana de Medicamentos (AIFA), as mais recentes evidências clínicas indicam “um risco aumentado de reações adversas com pouco ou nenhum benefício”.

Em França, o Conselho Superior de Saúde Pública e a Agência Nacional de Segurança de Medicamentos e Produtos de Saúde emitiram um parecer negativo sobre a prescrição deste medicamento no tratamento da Covid-19.

A decisão dos três países surge dias após a publicação de um estudo na revista The Lancet, o primeiro estudo sobre os efeitos da hidroxicloroquina em utentes com Covid-19, que conclui que o fármaco aumenta o risco de morte. No início da semana, a Organização Mundial da Saúde anunciou a suspensão temporária dos ensaios clínicos com o fármaco.

Desde o início da pandemia que a hidroxicloroquina era usada em vários países no tratamento do novo coronavírus sem que existisse uma investigação que comprovasse a sua eficácia.

Mais recentemente, o fármaco esteve no centro das atenções, sobretudo desde que Donald Trump admitiu que estava a tomar hidroxicloroquina todos os dias de forma a prevenir a infeção pelo novo coronavírus.
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