Japão tenta arrefecer reatores de central de Fukushima

A situação na central nuclear de Fukushima está “razoavelmente estável” mas o cenário continua “muito sério”, sustenta um especialista da AEIA. As autoridades japonesas estão a utilizar helicópteros e camiões-cisterna para lançar água e tentar arrefecer os reatores. Cada vez mais Governos estrangeiros aconselham os seus cidadãos em Tóquio a sair da região e as companhias de aviação intensificam as viagens a partir da capital japonesa.

RTP /
Helicópteros das forças armadas descarregaram toneladas de água do mar para arrefecer os reatores da central, mas a operação não terá resultado EPA

Na central nuclear de Fukushima, cerca de 240 quilómetros a Norte de Tóquio, os japoneses tentam arrefecer o núcleo dos reatores e impedir o derretimento das barras de combustível atómico. Se não conseguirem, será libertada na atmosfera uma grande nuvem radioativa.

Nas últimas horas, quatro helicópteros das forças armadas  e cinco camiões-cisterna dos bombeiros tentaram descarregar água, para controlar os problemas nos reatores 3 e 4 e evitar que o agravamento da situação.

Teme-se que as barras de combustível radioativo se derretam e provoquem uma nova libertação de gases de muito alta intensidade radioativa. Segundo Graham Andrew, da Agência Internacional de Energia Atómica (AEIA), mantém-se “o plano para restabelecer energia no reator 2 logo que a unidade do reator 3 esteja cheia de água”.

Do mesmo modo, responsáveis da autoridade norte-americana para a regulação nuclear consideram que a situação em Fukushima continua “muito séria”, mas notam que não se verificou qualquer grande desastre ou sinal de agravamento desde ontem.

Na sequência do sismo e do tsunami de magnitude 9 na Escala de Richter, que atingiu o arquipélago no dia 11, várias cidades desapareceram do mapa. Milhares de pessoas estão sem abrigo com água e alimentos racionados. Seis dias após o sismo, o número de mortes confirmadas ascende a 5400 e continuam as buscas para encontrar 9500 desaparecidos.

Obama presta “condolências” na embaixada japonesa
O presidente norte-americano foi à embaixada do Japão em Washington apresentar “condolências” pelas vítimas do sismo, onde Obama sublinhou a importância de ajudar os nipónicos com “grande urgência”, que enfrentam a pior ameaça nuclear desde o desastre de Chernobyl.
Uma equipa de nove militares especializados em riscos nucleares vai ao Japão “avaliar” a situação provocada pelas emissões radioativas de Fukushima.

Estes militares “vão trabalhar com o Governo japonês e aconselhar o comando (americano) para determinar se são necessárias forças adicionais para esta missão”, disse o porta-voz do Pentágono. Será a primeira vez desde o início desta situação que o exército americano vai além da ajuda pedida pelo primeiro-ministro japonês.

Os Estados Unidos querem ter mais informação dos japoneses sobre a crise nuclear e dizem estar a preparar equipamento para ajudar o Japão a lidar com esta situação.

Debate sobre energia nuclear ressurge na Europa
Os receios de uma tragédia nuclear suscitaram em vários Governos europeus declarações e decisões relativas à segurança das suas centrais.

Na Alemanha, Angela Merkel decidiu suspender por três meses o funcionamento dos sete (num total de 17) mais antigos reatores nucleares e testar a segurança de todas as centrais.

Em França, onde 80 por cento da eletricidade é gerada nos 57 reatores, e com dois novos reatores em programa, Sarkozy defendeu a “pertinência” da escolha da energia nuclear e afastou a possibilidade de um referendo sobre o tema. A oposição socialista exige o “debate nacional” alargado.

Em Espanha, Zapatero anunciou que a segurança das seis centrais nucleares será reavaliada, bem como os riscos sísmicos e de inundações.

Corrida ao aeroporto e níveis de radiação
Os Estados Unidos enviaram um avião para fazer regressar do Japão os seus cidadãos e autorizou a partida voluntária dos familiares do corpo diplomático.

Além dos Estados Unidos, muitos outros países – Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia, França, Alemanha, Índia, Coreia do Sul - aconselharam os seus cidadãos a saíram da zona em risco nuclear e as companhias aéreas preparam-se para intensificar as viagens.

O aeroporto de Tóquio está cheio de pessoas que procuram sair da região e as ruas da capital estão invulgarmente vazias, descreve a Reuters. Em 25 passageiros do voo Japão-Taiwan foram detetados níveis de radiação superiores ao que é considerado normal, embora o representante da AEIA garanta que não se verificou subida no nível de radiação.
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