Josef Fritzl confessou crimes de rapto e incesto

O homem que manteve, ao longo de 24 anos, uma relação com a filha em cativeiro confessou em tribunal os crimes de rapto e incesto, admitiu ter culpa nas acusações de coerção e violação, mas garante não ter culpa dos crimes de escravatura e homicídio.

RTP /
O acusado declarou inocência em dois dos seis crimes de que é acusado Helmut Fohringer, EPA

Na primeira sessão do julgamento de Josef Fritzl, que decorre em St. Poelten, a 65 quilómetros de Viena, foi visionado um registo vídeo, com um depoimento da principal vítima, a sua filha Elizabeth Fritzl.

O depoimento, que dura 11 horas, será "difundido em pequenas partes ao longo do julgamento", referiu o porta-voz do tribunal. Elizabeth foi a única vítima a responder às questões colocadas pela procuradora e pelo advogado do acusado. O depoimento vídeo foi escolhido como forma de protecção da testemunha, que quer evitar contacto com o seu violador.

A mulher, agora com 42 anos, foi raptada pelo pai em 1984 e fechada numa cave, sem janelas, com 1,70m de altura, até Abril do ano passado. Durante os 24 anos que passou em cativeiro, Elizabeth foi constantemente violada. Os testes de DNA provam que Fritzl é pai das seis crianças vivas que Elizabeth teve, sem qualquer ajuda.

Uma outra criança morreu, em 1996, dois dias e meio após o parto, alegadamente por falta de cuidados. O Ministério Público acusa o homem de homicídio por negligência do bebé. O pai/avô não terá procurado ajuda para a criança, cujo corpo incinerou numa caldeira.

A mulher de Fritzl (e mãe de Elizabeth) e os seis filhos da relação recusaram testemunhar. As restantes quatro testemunhas no julgamento são especialistas. Um médico neonatologista irá ser interrogado relativamente à morte do recém-nascido. Um psicólogo irá responder sobre o estado psicológico do acusado. Dois outros técnicos vão esclarecer sobre o sistema electrónico de segurança das portas do anexo.

O austríaco, de 73 anos, acusado de seis crimes, incorre em prisão perpétua. Quando interrogado sobre a sua infância, Fritzl disse que não tinha amigos e que as suas relações com a mãe eram "muito difíceis".

A sentença deverá ser conhecida até ao final da semana.

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