Líder da oposição no Uganda colocado em prisão domiciliária
O líder da oposição ugandesa foi colocado em prisão domiciliária na quinta-feira à noite, denunciou o seu partido, enquanto o presidente cessante lidera a contagem de votos das eleições presidenciais e parlamentares, segundo os resultados preliminares hoje divulgados.
O líder da oposição ugandesa, Bobi Wine, foi colocado em prisão domiciliária na quinta-feira à noite, juntamente com a sua mulher, segundo informações fornecidas pelo seu partido, a Plataforma de Unidade Nacional (NUP), que explica que o exército e a polícia estão a cercar a residência.
"Os agentes de segurança violaram ilegalmente a vedação do perímetro e estão a montar tendas dentro da sua propriedade", acrescentou o partido.
As eleições presidenciais e parlamentares do Uganda aconteceram na quinta-feira, tendo o Presidente cessante do Uganda, Yoweri Museveni, e Bobi Wine como os principais candidatos na corrida pela Presidência.
Após a contagem dos votos, em menos de metade das mesas de voto do país, Museveni tem 76,25% dos votos, contra 19,85% de Bobi Wine -- cujo nome verdadeiro é Robert Kyagulanyi --, segundo a comissão eleitoral.
Muitos observadores veem estas eleições como uma formalidade para o atual Presidente - um antigo líder guerrilheiro de 81 anos, que procura um sétimo mandato consecutivo - devido ao seu controlo total do aparelho eleitoral e de segurança.
A população não tem acesso à internet, que foi desligada pelas autoridades na terça-feira, e uma grande presença de segurança foi mobilizada em todo o país.
O ex-cantor Bobi Wine, de 43 anos, que se autointitula o "presidente do gueto", uma referência ao bairro da sua infância numa das favelas da capital, Kampala, é o principal opositor de Museveni, que governa o Uganda desde 1986.
Problemas técnicos significativos interromperam a votação em todo o país na quinta-feira e a oposição alega que estas interrupções foram um ato "deliberado" para garantir a vitória de Yoweri Museveni.
Depois de votar, rodeado de um forte esquema de segurança e de uma multidão de apoiantes, Bobi Wine apontou os problemas técnicos do dia "entre outras irregularidades".
Wine acusou também o Governo de "fraude eleitoral em massa" e de prender membros do seu partido sob o pretexto do apagão da internet, alegações que não puderam ser verificadas.
O Presidente Museveni, por sua vez, acusou a oposição de ter "fraudado as urnas" durante as eleições presidenciais de 2021, que alega ter ganhado com "mais de 70%" dos votos, e não com 58%, como afirma a comissão eleitoral.
Museveni manifestou, na quinta-feira, confiança em alcançar 80% dos votos na eleição, mas reconheceu as dificuldades técnicas encontradas pelas máquinas biométricas destinadas a verificar a identidade dos eleitores, de que ele próprio foi testemunha.
A votação decorreu numa atmosfera "marcada pela repressão e intimidação generalizadas", observou a ONU.