Líder de Hong Kong promete "ir ao fundo" de incêndio em habitação social

O chefe do Executivo de Hong Kong prometeu hoje "ir ao fundo" do incêndio mortal em Tai Po, responsabilizar os culpados e encontrar soluções a longo prazo para alojar os afetados, informou a emissora pública.

Lusa /
Reuters

De acordo com a RTHK, John Lee Ka-chiu indicou no Conselho Legislativo (LegCo, na sigla em inglês) que os trabalhos de recuperação pós-desastre são uma "tarefa urgente", tendo o Executivo apresentado uma moção de apoio na primeira reunião do parlamento.

O Governo, indicou o responsável aos deputados, "vai finalizar o plano de alojamento a longo prazo para as famílias afetadas o mais rápido possível, para que se possam estabelecer nas suas novas casas em breve".

Lee garantiu que os culpados pelo tragédia de 26 de novembro vão ser responsabilizados.

"As autoridades policiais e o comité independente não deixarão pedra sobre pedra", disse, prometendo "ir ao fundo desta questão".

"Aqueles que devem ser responsabilizados, sejam eles funcionários públicos ou não e independentemente do seu nível, serão responsabilizados de acordo com os fatos", completou.

O incêndio no complexo residencial Wang Fuk Court, alvo de obras de reparação, começou quando a rede que cobria as estruturas de bambu entre o rés-do-chão e o primeiro andar do bloco Wang Cheong House se incendiou. O fogo propagou-se com uma rapidez invulgar ao resto do complexo, atingindo seis outras torres e matando um total de 161 pessoas.

Hoje também, o chefe do Executivo revelou as expectativas que tem em relação aos deputados do LegCo, eleitos em 07 de dezembro, pouco depois do incêndio.

"Terei todo o prazer em ouvir as vossas opiniões, concordem ou não com o Governo", disse.

Estas foram as segundas eleições desde a reforma eleitoral introduzida em 2021 por imposição de Pequim, que reduziu de 35 para 20 os assentos eleitos por sufrágio universal, ampliou o peso dos mecanismos não diretos e transformou o escrutínio numa votação na qual "apenas (candidatos) patriotas" podem concorrer.

A votação decorreu sem os dois principais partidos pró-democracia: o Partido Cívico, dissolvido em 2023, e o Partido Democrata, em declínio.

Embora inicialmente o Executivo tenha ponderado a possibilidade de adiar as eleições depois do incêndio e dos três dias de luto e suspensão das atividades de campanha que se seguiram, acabou por decidir mantê-las na data prevista.

As autoridades argumentaram que realizar o sufrágio demonstra maturidade institucional e que o processo pode coexistir com o respeito pelas vítimas e a gestão da emergência.

No total, 161 candidatos disputaram 90 lugares: 51 em circunscrições territoriais, 60 em circunscrições funcionais e 50 designados pela Comissão Eleitoral, dominada por perfis próximos ao Governo central chinês.

Os círculos funcionais representam grupos profissionais, setores comerciais ou interesses especiais específicos e apenas os eleitores registados nestes setores podem votar neles, o que tem suscitado críticas pela representatividade limitada a favor dos interesses corporativos e das elites.

"Quando discordarem das políticas governamentais, por favor, apontem os problemas e apresentem recomendações e sugestões. Consideraremos as vossas sugestões com seriedade. Quando estivermos a agir corretamente, por favor, sejam justos connosco", disse Lee, citado pela RTHK.

O chefe do Executivo indicou ainda que os legisladores devem falar com base nos factos e filtrar as informações erradas quando se dirigem ao público.

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