Líder de Taiwan promete "defender firmemente" soberania após exercícios chineses

O Presidente de Taiwan, William Lai Ching-te, prometeu hoje "defender firmemente a soberania nacional" da ilha, em torno da qual as forças armadas chinesas realizaram bloqueios simulados e ataques a alvos marítimos esta semana.

Lusa /

"A minha posição sempre foi clara: defender firmemente a soberania nacional, reforçar a defesa nacional e a resiliência de toda a sociedade, estabelecer capacidades de dissuasão eficazes e construir mecanismos robustos de defesa democrática", disse Lai, num discurso transmitido pela televisão.

A China anunciou na quarta-feira ter concluído "com sucesso" dois dias de manobras militares em redor de Taiwan, que incluíram tiros reais e simulações de bloqueio de portos estratégicos da ilha.

O Presidente chinês, Xi Jinping, afirmou que o que descreveu como a `reunificação` de Taiwan com a China continental não pode ser travada, num discurso à nação, pouco depois do anúncio do fim dos exercícios.

"A reunificação da nossa pátria não poderá ser impedida", declarou Xi Jinping, ao apresentar a mensagem de Ano Novo em Pequim.

O Governo de Taipé alega que a ilha nunca fez parte da China comunista e que as pretensões de soberania chinesas são ilegítimas.

Um porta-voz do Comando do Teatro Oriental do Exército Popular de Libertação indicou que foram concluídos com êxito os exercícios "Missão Justiça 2025".

Num comunicado, o porta-voz e capitão-de-fragata Li Xi advertiu que os soldados vão continuar o treino para "contrariar as tentativas dos separatistas a favor da `independência de Taiwan` e a ingerência externa".

As manobras suscitaram condenações internacionais. O Japão considerou que os exercícios "exacerbam as tensões" na região, enquanto a Austrália os classificou como "desestabilizadores".

A União Europeia, a Alemanha e a França manifestaram igualmente preocupação e reiteraram o seu compromisso com a "estabilidade" internacional, enquanto as Filipinas expressaram "profunda preocupação".

Os exercícios chineses aconteceram 11 dias depois dos Estados Unidos aprovarem um plano recorde de venda de armas a Taiwan no valor de 11 mil milhões de dólares (9,3 mil milhões de euros), serviram para reforçar a pressão estratégica sobre Taipé através do estreitamento do cerco militar à ilha.

As manobras coincidem ainda com um agravamento das relações sino-japonesas, marcado nas últimas semanas por incidentes militares, trocas de protestos diplomáticos e medidas económicas punitivas.

A escalada foi desencadeada por declarações da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, que afirmou, durante uma sessão parlamentar, que um eventual ataque chinês contra Taiwan poderia colocar o Japão numa "situação de crise", o que justificaria a intervenção das Forças de Autodefesa nipónicas.

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