Liga Árabe apela para "ação conjunta" face a ataques de Teerão no Golfo e à guerra
A Liga Árabe apelou hoje para uma "ação árabe conjunta" dos seus 22 Estados-membros face aos "atrozes" ataques do Irão contra infraestruturas dos países do Golfo e à guerra conduzida pelos EUA e Israel contra a nação persa.
"Estamos a viver um momento excecional na história da região e na história da ação árabe conjunta, um momento que exige uma voz unificada e coletiva, e mensagens claras que não admitam interpretações erradas nem ambiguidades", declarou o ministro dos Negócios Estrangeiros do Bahrein, Abdelatif bin Rashid, vincando a divisão política historicamente existente entre os diferentes Estados Membros.
O chefe da diplomacia do Bahrein, que preside à 165.ª sessão ordinária do Conselho da Liga Árabe a nível ministerial, fez estas declarações no início da cimeira, reiterando a necessidade de unidade face aos "ataques iranianos" contra a "soberania" dos países do Golfo Pérsico.
Bin Rashid criticou também o facto de que os pretextos do Irão para realizar estes ataques foram "deliberadamente fabricados para turvar a situação" e simular que "parecem uma forma de confrontação com Israel".
"Outros já seguiram este caminho, e vimos como acabaram por destruir os seus próprios países, sem oferecer qualquer apoio tangível ou genuíno à causa palestiniana", acrescentou bin Rashid, referindo-se ao grupo xiita libanês Hezbollah e aos rebeldes huthis do Iémen, cujos ataques contra Israel foram respondidos com severidade.
Por este motivo, Bin Rashid exigiu "o cessar imediato dos ataques iranianos", bem como o fim do bloqueio do estreito de Ormuz, que está a colocar em dificuldades as economias árabes do Golfo, fortemente dependentes dos rendimentos da exportação de petróleo e gás natural.
"Respeitamos o direito dos Estados atacados de se defenderem, individual ou coletivamente", afirmou, apesar de, após um mês de ataques iranianos, nenhum país do Golfo ter feito qualquer intervenção militar contra o Irão, numa tentativa de não agravar ainda mais as tensões no Médio Oriente.